Carta aberta ao Amapá

Eu nasci e fixei residência em Macapá, uma cidade as margens do Rio Amazonas, capital do Estado do Amapá. Tenho orgulho de ser amapaense, por entender que as pessoas que residem neste Estado longínquo e distante dos grandes centros urbanos do centro-sul de nosso Brasil, centros industriais de negócios e política, local onde são decididos nossos destinos; por subsistirem em situações adversas, possuem fibra e capacidade de transformar suas realidades.

Com certezas da juventude e fervor no peito de um patriota, vim acompanhando transformações diversas no mundo e em nosso Brasil. Particularmente no Amapá, venho vivenciando com administrações locais diversas, que datam desde o Território Federal do Amapá até o hoje, Estado do Amapá. Governantes estes que no principio eram indicados pelo poder central e tinham metas e experiências a serem transmitidas para os nativos aqui residentes. Em função do motivo que deu origem ao então território federal do Amapá, que era a tentativa de desenvolver esta parte do País de formas a fixar o homem na terra, garantindo assim, a hegemonia sobre nosso território próximo a fronteira. Por estes motivos, tais governantes pensavam o crescimento e o desenvolvimento da população que aqui vivia.

Com o passar do tempo, foi possível notar o enfraquecimento de nossas instituições, das mais singelas como a família, perpassando pelas escolas, hospitais, e chegando as instituições mais complexas como os três poderes instituídos por nossa constituição. A fragilidade e apodrecimento de nossas instituições tiveram origens no abandono dos programas sociais, e foram percebidos através da fragilização da família, quando houve o surgimento de grupos de pedintes e garotos cheirando cola no centro comercial.

Nossas escolas que sempre foram referencia e orgulho de nos amapaenses, pois possuía padrão e exigência curricular aos moldes de Brasília nos proporcionando uma educação que permitia a qualquer amapaense participar de concurso vestibular em outras unidades da federação tendo a certeza que concorreria com vantagens sobre os demais candidatos, sem esquecer que estas escolas nos proporcionavam formação cívica e cidadã que garantiam o fortalecimento do tecido social aos moldes gregos propostos na República de Platão.

Nossos hospitais sempre sofreram com carência de profissionais, mas o atendimento primava pela qualidade, fato que guarda distancia com a atual realidade, já que não dispomos de hospitais em suficiência para atender nossa população e nem equipamentos e especialistas que acompanhem as inovações proporcionadas pelo progresso da ciência, talvez a profissão nobre da medicina tenha sido trocada pela nobre arte da política, já que possuímos muitos médicos que trocaram seus consultórios pelos palanques, e não conseguimos vislumbrar uma contribuição expressiva dos mesmos, tendo como testemunho o flagelo social pelo qual passa a saúde pública.

Quanto aos três poderes estabelecidos por nossa Constituição, contrato legal e social que nos uni, notamos uma palidez dos governantes eleitos para o poder executivo, que não conseguiram transformar a realidade e muito menos cumprir a missão que a eles foram confiada a través do voto pela população amapaense, mantendo a escrita que santo de casa não faz milagre. Contudo, o poder judiciário, que tem em sua maioria magistrados de outras unidades da federação, contradiz a escrita popular sobre os milagres do santo de casa, já que nem os santos de fora, milagre o fazem. E o que dizer do poder legislativo, possuidor de parlamentares que desconhecem as reais necessidades da população, legislando em alguns casos em causas fortuitas, que não se sabe se é por ignorância ou por despreparo. De uma forma geral corre um sentimento na sociedade, que nos diversos níveis do poder, pessoas utilizam tal poder como extensão de suas  necessidades, fato que se traduz em enriquecimento ilícito e surgimento de afortunados emergentes, que ao bem da verdade não resistem a uma investigação seria da Receita Federal, sobre a consistência do crescimento patrimonial. A ausência de planejamento e a falta de hábeis e capazes executores tornaram nosso Estado frágil e propicio os corruptos que rapidamente enriquecem.

A ausência de planejamento atinge o cerne de nossas instituições, e torna-se mais clara pela inexistência da função, forçando os técnicos a repetirem peças orçamentárias de exercícios anteriores, que não refletem a realidade das necessidades demandadas para o exercício em curso, muito menos as necessidades proferida no Plano Plurianual – PPA, que teria o objetivo de planejar o Estado no médio prazo. Mesmo tentativas como o estabelecimento da Fábrica de Projetos, pode se converter em insucessos, haja vista a inexistência de uma base de dados consistentes sobre qualquer coisa que fundamente um projeto sério com objetivo de captar recursos e proporcione crescimento econômico de nosso Estado. Cabe ressaltar que captar recursos, não é garantia de sucesso no atigimento de metas e objetivos de um projeto.

Um fato grave na gestão estadual e municipal e a evasão de divisas que ocorre de diversas formas. Tal evasão ocorre de forma primaria quando as águas territoriais amapaenses são invadidas por barcos de outros países e de outras unidades da federação sem que haja qualquer fiscalização mais severa por parte da Marinha Brasileira, e neste momento não percebemos qualquer ação de nossos Deputados e Senadores no sentido de solicitar mais recursos e meios para fortalecer a vigilância e fiscalização. Neste sentido, o surgimento da segunda esquadra brasileira que ainda não foi decidido onde ficará se no Pará ou no Maranhão, e porque não no Amapá? Se temos um importante senador que nos representa e poderá agir politicamente no sentido de trazer tal esquadra para nosso Estado, ponto estratégico mais importante do norte brasileiro, onde foi instalado a maior fortificação portuguesa (Fortaleza de São José de Macapá).

São diversas as formas de evasão de receita, como pode comprovar qualquer amapaense que se dispor a observar a quantidade de caminhões frigoríficos que saem abarrotados de nossos peixes sem qualquer nota fiscal, ou quando acompanhado de uma nota fiscal, o valor do quilo do pescado é irreal. Outro fato que seria possível de comprovar é a enorme quantidade de açúcar que “entra” em nosso estado, que se fosse consumido pela população, em sua totalidade, resultaria em cem por cento da população totalmente diabética.

Outro ponto importante e a ausência de unidade parlamentar dos nossos representantes políticos, que deixam perpassar as disputas dos períodos eleitorais para o período em que exercem seus mandatos, onde poderiam observar o Amazonas, e comprovarem que os políticos daquele estado, deixam as diferenças de lado e agem no sentido de conseguirem a inclusão de seu estado nos projetos dos diversos ministérios, interferindo de forma positiva, no sentido de afinar os anseios nacionais as necessidades do povo do Amazonas, sem esquecer o Planejamento Estratégico do Estado como um todo.

Decorrentes da falta de habilidade de nossos políticos a falta de planejamento, percebe-se fragilidades geopolítica do Estado, onde seus lideres não tomam conhecimento de suas potencialidades e nem de sua real missão, mesmos tendo fatos históricos que datam da origem do então Território Federal do Amapá, em 1942, onde a missão já era a de gerar desenvolvimento suficiente para manter a presença humana no sentido de melhorar a defesa da fronteira franco-brasileira. E naquele momento, já existia o extrativismo vegetal e em seguida o extrativismo mineral (Serra do Navio). A ausência de informações consistentes sobre a quantidade de madeireiros e operários das minas amapaenses denotam a falta de informação que é enfraquecida pela inexistência em nossas escolas técnicas de cursos de mineração ou de formação de madeireiros.

No sentido econômico, o Amapá se ver isolado de forma insular dos dais estados da federação, mas não age no sentido de se aproximar de nossos vizinhos ao norte, Guiana Francesa, mesmo sendo beneficiado pela Implantação da Infraestrutura Regional Sul-Americana – IIRSA, que em seu eixo estruturante do Escuda das Guianas, propôs uma área de expansão econômica que abrange o Amapá, e neste sentido, permitiu a pavimentação da BR-156, da Transguianense e construção da ponte sobre o rio Oiapoque. O Amapá não consegue ter unidade de pensamento no entendimento e nas reuniões com o governo francês, ou seja, não há políticas de estado que possibilite a seqüência de ações que garantam a participação amapaense, de forma a dar segurança a qualquer país parceiro, já que a cada quatro anos corre-se o risco de mudar o mandatário e as políticas por serem de governo e não de estado, sofrem influencias do humor e capacidade técnica de cada equipe de governo. Ainda nas relações com outros governos, é grave a falta de unicidade no discurso dos representantes amapaenses, mesmo os que pertencem a uma única equipe de governo, gerando duvida nos franceses sobra a seriedade de nossos governantes. Somente a criação de políticas de estado, com coordenação estadual e federal dará confiança ao governo francês.

É possível perceber que há muito tempo o Estado não possui Planejamento Estratégico que permita reconhecer suas potencialidades e descreva de forma estratégica como se chega a um futuro de sucesso, onde todo cidadão amapaenses possa ter orgulho de viver numa terra que possua recursos suficientes que garantam saúde, educação, segurança e possibilidade de existir com respeito concorrendo a felicidade individual e coletiva. Com intuito de buscar o bem comum, que é uma necessidade social, venho contribuir para a conscientização de verdadeiros brasileiros que buscam tornar nossa nação um território prospero e digno para receber nossos filhos e descendentes.

Rosival Monteiro
Consultor Empreasarial

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: