A concepção do conhecimento científico no Amapá

“Todas as ficções desaparecem diante da Verdade e todas as loucuras se aquietam diante da Razão”, este fragmento é parte do discurso de um contexto político conturbado – proferido por Maximilien Robespierre no calor da Revolução Francesa – é tão atual quanto foi em sua época, o qual marcou ponto de inflexão na construção do conhecimento científico, libertando o homem dos grilhões que o deixava a mercê de autoridades divinizadas, sobre ela talvez esteja um dos alicerces da concepção epistemológica. Ora, na contemporaneidade amapaense Verdades científicas também podem ser descobertas, outras aperfeiçoadas. Para isto, políticas efetivamente arrojadas devem ser implementadas visando a médio prazo retorno satisfatório.

Visto que não há desenvolvimento de um povo sem o devido incentivo a ciência e a tecnologia, aí está, portanto, o cerne da questão para se chegar a um Estado moderno. Entretanto sem perder de vista que o incentivo à ciência se está, por extensão, fortalecendo a educação. O resultado deverá ser a socialização das suas benesses, em especial para aqueles que estão à margem da sociedade amapaense.

Para alcançar esse objetivo faz se necessário primeiro fortalecer as entidades que produzem conhecimento, para depois buscar parcerias entre elas a fim de dá o ponta-pé inicial no modo eficiente de fazer ciência, ou seja, a implementação de políticas incentivadoras através de recursos considerados, principalmente nas instituições como a UNIFAP, UEAP, IEPA, EMBRAPA, Secretaria de Ciência e Tecnologia entre outras.

A instituição que tem contribuído com o avanço da ciência no Estado é a Universidade Federal do Amapá, a UNIFAP, onde estudos apontam para descobertas de novas fórmulas de fármacos. Além do mais é exemplo a ser seguido, embora com certas dificuldades que vez por outra acompanham uma Universidade de pequeno porte, no entanto já desponta com pesquisas que são inovadoras para o mundo da ciência. Aliás, não só nisso a UNIFAP é excelência, mas também é exemplo a ser seguido por sua bem avaliada gestão, pois como pesquisador e doutor em farmacologia, o magnífico reitor e professor José Carlos Tavares, tem inovado no comando da instituição.

Além disso, através do apoio incondicional da reitoria, a UNIFAP implementa programas específicos que atuam conjuntamente com o Ministério da Educação, através da Política Nacional de Iniciação Científica. Um deles é o Programa de Educação Tutorial que no último ano teve o maior número de projetos de pesquisa aprovados pelo MEC em toda a região norte. Fato inédito nunca acontecido naquela instituição.

Na outra ponta está a incipiente Universidade Estadual do Amapá, a UEAP, que, apesar de pouco mais de quatro anos de existência, precisa de incentivos governamentais que são imprescindíveis para o seu desenvolvimento. Nisto há a perspectiva de melhora sobre seu futuro, já que o atual mandatário, hoje no Setentrião e antes no legislativo, apresentou projeto de lei que disponibilizaria 2 % do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, para que a instituição conseguisse sua autonomia administrativo-financeira.

Com isso a universidade poderia implementar projetos de pesquisas em seus cursos de graduação e especialização. Apesar de um projeto excelente para o incentivo à ciência e à educação, no entanto o então governador Waldez Góes o vetou integralmente. Daí faz se especular que o atual governo deverá pôr o projeto novamente em discussão, isto, claro, depois de superar a crise econômica, social, política e moral, que vive atualmente o Estado do Amapá.

Apesar de um estado jovem, o Amapá outrora já fora excelência na construção do conhecimento científico, especialmente na seara fitoterápica, através do Programa de Desenvolvimento Sustentável que tinha numa das vertentes, por exemplo, o incentivo e a valorização dos conhecimentos imanentes às comunidades indígenas, no qual mesclava o conhecimento empírico e cultural com as concepções científicas modernas, inovando na produção de remédios naturais, os quais eram comercializados por farmácias populares a preço accessível.

Contudo, neste aspecto o Amapá poderá contribuir e despontar como a “ponta de lança” no fazer ciência no norte do país, isto, devido suas potencialidades, diversidades e por ser o Estado mais bem preservado da federação, o que convém mencionar que há todo um deserto científico a ser pesquisado e explorado de maneira sustentável, principalmente em relação a sua flora e fauna, bastando para isso responsabilidade e seriedade com este tema importantíssimo para a humanidade.

Nezimar Borges – Professor

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