Sem trilho

A noite me devora,

O frio me quer matar,

A dor que sinto agora

Só encontra par no mar.

A minha luz sem brilho

Quer te encontrar, meu filho,

Mas não te pode achar.

Deste-me à luz, do nada

E me ensinaste a amar.

E tive a vida amada,

E amei de me acabar,

Mas meu vagão sem trilho,

Assim, sem ti, meu filho,

Ruma pra despencar.

Quisera atar-te a rede,

Quisera te embalar,

Mas tudo agora é sede

E fome, e está sem lar.

Enquanto que, andarilho,

Busco-te em vão, meu filho,

Na noite sem luar.

Por que tu te apressaste

Em sonhos pra voar?

Por que não me deixaste

Agasalhar-te ao ar?

Por que que este estribilho

Quer te ninar, meu filho

Se já não sei cantarr?

E agora que és saudade,

A vida o que será?

Que será da bondade

Que tinhas pra ensinar?

Sob as pedras que empilho

Dorme por mim, meu filho;

Dorme pra eu despertar.

Orivaldo Fonseca

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