Quem indeniza a dor?

Uelinton Oscar Silva Robles, 26 anos, quando sonhava na Suíça retornar para o Amapá. Não sabia que acabaria debaixo de uma carreta

Uelinton Oscar Silva Robles, 26 anos. Nasceu e se criou dentro da União do Vegetal (UDV). Dentro do peito carregava um balde de canções, sonhos, projetos e esboçava uma longa e fértil tarefa em prol do ser humano. Um ser brincalhão, alegre, ‘barateiro’ e de bem com a vida. Nunca teve pressa. Tinha aflições porque o tempo corria muito devagar para a velocidade de quem não tinha pressa, mas tinha metas. Todos os verbos no passado. No dia 2 de junho deste ano, na estrada do Km 9, esta trajetória foi interrompida. Estourou  o pneu dos sonhos. Teve a cabeça esmagada por uma carreta.

Ele estava de moto. Um dos tantos e fatais buracos que circundam e permeiam a estrada o fez desequilibrar-se. Não teve tempo de levantar-se. Uma carreta que vinha logo atrás se encarregou de interromper o ciclo desta vida. Um choque tão imenso, que ecoou no coração de todos os que o conheciam. Era funcionário da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) e estava em serviço externo da empresa. Lá também houve um curto circuito de emoções e dores.

Ninguém sabia de nada, mas havia um eco, uma faísca, um choque mexendo dentro de cada um. Uma inquietação coletiva ocorreu quase ao mesmo tempo. Uma aflição explicada com a notícia de morte de Uelinton Oscar Silva Robles. Essa é daquela notícia que só se acredita vendo. Como é que uma vida é interrompida, tendo como causa a incompetência, irresponsabilidade, o descaso a certeza da impunidade? Uma estrada onde trafegam 24 horas carretas para transporte de pinus, não tenha a devida recompensa com o asfaltamento tecnicamente correto e que haja a manutenção permanente.

E esta não é a primeira tragédia que ocorre naquela estrada do km 9 e em todas as outras do Estado do Amapá, tendo como causa a buraqueira e nem será a última se essas pessoas não forem responsabilizadas, punidas e multadas e até mesmo ir para na penitenciária por crime doloso. Doloso, sim. Porque quem deixa uma rodovia assim e tem consciência dos perigos de que ele mesmo ou alguém da família dele, pode ser a próxima vítima e não está nem um pouco preocupado com os resultados, também não deve ser poupada na hora de ser responsabilizado por este crime.

A legislação permite e credencia a família a receber as indenizações pela tragédia causada pelo Estado e Município, por não cumprir o papel de manutenção de responsabilidade desses poderes. Mas quanto vale uma vida de um jovem de 26 anos, cheio de tantos sonhos? Quanto vale cada gota de lágrimas dos inúmeros olhos inundados pela dor? Quanto custa esquecer que tudo é verdadeiro, cruel e sem que sirva de um alerta para as autoridades sejam responsáveis pela vida das pessoas e seguranças nas estradas? Quanto e como se aquilata a dor pela perda de um jovem, que retornou da Suíça, dos encantos do 1º mundo para vir desencarnar no Amapá?

Só assim é que o Estado se transforma em notícia? A custa de tragédias, dores, sofrimentos, desamparo, irresponsabilidades? Temos muito mais que ofertar e exportar do que a dor estampadas nos jornais e nos sites do mundo. Como é que podemos acreditar nessas mudanças quando matizes de dores ganham destaque dentro do coração das pessoas, que acreditam ainda nessas mudanças? Quanto vale uma dor causada pela perda irresponsável de vidas?

Por Edi Prado

6 comentários em “Quem indeniza a dor?

  • junho 5, 2011 em 11:58 am
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    É LAMENTÁVEL..TÃO JOVEM SE INDO DE UMA FORMA TRÁGICA, QUE PODERIA SER RESOLVIDO,NEM P.M.M E G.E.A, ESSA BURAQUEIRA TODA (SÓ SENDO BEIJA FLOR) , E A MAIORIA DAS VIAS SEM ILUMINAÇÃO.. VERGONHA PRO AMAPÁ .

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  • junho 5, 2011 em 11:58 am
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    É LAMENTÁVEL..TÃO JOVEM SE INDO DE UMA FORMA TRÁGICA, QUE PODERIA SER RESOLVIDO,NEM P.M.M E G.E.A, ESSA BURAQUEIRA TODA (SÓ SENDO BEIJA FLOR) , E A MAIORIA DAS VIAS SEM ILUMINAÇÃO.. VERGONHA PRO AMAPÁ .

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  • junho 5, 2011 em 5:03 pm
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    Palavras são poucas para expressar essa realidade que infelizmente ocorre. Novas vítimas a cada dia, não importa idade, classe social ou cultural, todos de alguma forma, somos vítimas e reponsáveis, mediante a precariedade oferecida pelos órgãos gestores diante essa situação de emergência, sem estrutura para atender as necessidades.
    Quanto a Indenização,é um direito referente a morte da pessoa amada.
    Esta perda envolve sentimentos profundos.
    Que valor a compensa?

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  • dezembro 20, 2011 em 5:12 pm
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    concerteza todos estes acidentes que acontecem nessas estradas, rodovias, ruas, etc, aqui no estado fazem vergonha para nos que vivemos aqui, pois um estado tao pequeno deveria ser bem mais organizado, concerteza a causa desses acidentes são ocasionados devido a grande quantidade de buracos, por mais que o motorista tome todos os cuidados e atenção no transito, a qualquer momento poderemos ser surpreendidos pelos buracos mas famosos.

    josi

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  • fevereiro 24, 2012 em 2:32 pm
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    Não se pode indenizar a dor de alguém, porque dinheiro nenhum vai trazer a pessoa de volta, acidentes acontecem com qualquer pessoa e de qualquer raça, religião ou classe social, o que deve ser feito é clamar aos
    orgãos competentes pela melhoria dessas estradas, todas cheias de buracos, sem iluminação e motoristas inresponsáveis, e em muitos casos quem morre é quem são os culpados, e quem fica é quem paga o pato, então quem indeniza a dor é só Deus.

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  • fevereiro 24, 2012 em 2:32 pm
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    Não se pode indenizar a dor de alguém, porque dinheiro nenhum vai trazer a pessoa de volta, acidentes acontecem com qualquer pessoa e de qualquer raça, religião ou classe social, o que deve ser feito é clamar aos
    orgãos competentes pela melhoria dessas estradas, todas cheias de buracos, sem iluminação e motoristas inresponsáveis, e em muitos casos quem morre é quem são os culpados, e quem fica é quem paga o pato, então quem indeniza a dor é só Deus.

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