Curas pela FÉ: Pode-se confiar plenamente?

Sebastião Ramos

Muitas pessoas por decidirem abandonar a terapia médica, em troca de sua fé, já levaram a perda de muitas vidas. Surge uma pergunta: por que nesta era da informação, da robótica, de avanços científicos, ainda existem tantas pessoas que acreditam em curas milagrosas pela fé? Provavelmente, porque ficaram desiludidas por não conseguirem uma consulta pelo SUS ou porque os médicos não conseguiram fazer muito para aliviar a dor e o sofrimento das pessoas que mais amam, quando se trata de seus entes queridos. Há também os que se prenderam à metáfora bíblica que diz que a fé remove montanhas. Incrível, como a maioria das convicções religiosas influencia como a mais de 500 anos, sempre com a mesma incoerência.

Uma colega de trabalho expressou: “Não mais irei sofrer por causa de minha doença, estou completamente curada pela minha fé!”. Confesso que fiquei em estado de choque com tais palavras, porque conheço aquela senhora que sofre de câncer de mama em estágio avançado. Mas não lhe questionei absolutamente nada. Antes, tínhamos insistido, inclusive, os próprios médicos, para que ela se submetesse a tratamento quimioterápico, que seria lógico e a melhor forma para quem sofre de câncer… O tempo passou, e as conseqüências de sua doença foram drásticas pelo fato, daquela senhora ter que se submeter de imediato a uma cirurgia de grande porte. Mas o pior estava por vir. Pasmem! Com o PDV: Plano de Demissão Voluntária criado há alguns anos pelo governo federal, os pastores de sua igreja incentivaram-na a pedir demissão de seu único emprego. Qual era o objetivo? Suas palavras de incentivo eram: “Você tem que ser a cabeça e não a cauda”. Quiseram dizer que se ela pedisse demissão, poderia chegar a ser empresária. E assim ela cometeu mais uma grande tolice, perdeu a sua única fonte de renda. Com tantos descontos do dinheiro que tinha para receber de sua indenização, como imposto de renda, INSS, 10% do dízimo e as ofertas alçadas que teve de pagar a igreja, ficou apenas com uma merreca na mão. Resumindo: perdeu a saúde, o emprego, e, por fim é lamentável dizer, a própria vida. Não pensem que isto é uma ilustração, é uma história real quepresenciei.

Certo imunologista, disse que muitos ao receberem esperanças milagrosas podem abandonar tratamentos médicos sérios, em nome desses espertalhões. No caso desta funcionária pública federal, não chegou sequer a dar início ao tratamento de quimioterapia porque supostamente se achava curada.

Outro caso que ficou muito conhecido pela grande mídia foi a da filha do Pelé. A médica que cuidou de Sandra Arantes do Nascimento afirmou que, ela era muito resistente ao tratamento. Só fez três sessões de quimioterapia. Se não estivesse recusado o tratamento poderia ter sobrevivido mais tempo e, eventualmente, até conseguido se curar se não acreditasse tanto em milagre. Ainda segundo a médica, o que matou Sandra foi o seu fanatismo religioso.

As curas que Jesus e seus discípulos realizaram não podem ser comparadas com as que presenciamos hoje. Vejamos os contrastes: Jesus ressuscitou Lázaro, com três dias de morto e sepultado. Paralíticos de nascença foram realmente curados. Cegos tiveram de volta a visão. A mão mirrada de certo homem ficou completamente sã. A orelha de um soldado foi fixada milagrosamente em seu devido lugar. Agora, observemos determinados relatos de curas pela FÉ que assistimos pela televisão: Pastor, eu cheguei com uma dor de cabeça, na perna ou no braço e agora passou de repente. Outros são curados pela medicina ou pelos remédios, ou por terem feito uma cirurgia, mas chegam a testemunharem que foram curados na igreja x ou y. Os milagres que Cristo realizou, foram “fenomenais”, enquanto os que são propagados pelos programas evangelísticos não condizem com a realidade.

Jesus Cristo, como nosso mediador é o único que pode amenizar o sofrimento na hora de angustia e aflição. Cristãos conscientes não se deixam enganar por propagandas enganosas, mas oram a Deus para que lhes dê consolo e força para enfrentar as provações, e quando adoecem podem também orar pedindo que o próprio Deus os cure e pedindo orientação profissional para conseguir o melhor tratamento médico.

Na religião das Testemunhas de Jeová não existem curas pela FÉ, entretanto seus ex-membros estão mortos socialmente para seus antigos amigos de religião, pois sua liderança proíbe terminantemente que sejam cumprimentados com um simples OLÁ, para que não surja uma conversa, e da conversa um retorno da amizade. Entre os desassociados e dissociados que passaram por este ostracismo, muitos se encontram em tratamento psiquiátrico, e pasmem, há relatos de suicídios. Por isso, é preciso que a sociedade passe a tomar cuidado, pois entrar nesta religião é muito fácil, porém, sair com honra e dignidade não acontecerá jamais.

Não podemos mais nos iludir em acreditarmos em supostas curas pela fé, que tem levado muitos à decepção e até mesmo a óbito, nem tampouco nos engajar em determinadas religiões sem fazer uma consulta perita de suas crenças. “Os ingênuos põe fé em qualquer promessa, mas o inteligente considera a sua veracidade”, diz Provérbios 14: 18. Portanto, não acreditem na MALDADE de homens corrompidos pela mente, que visam apenas o lucro, nem tampouco, abandonem o seu tratamento de saúde, em troca de curas milagrosas pela fé.

Lembre-se, que Cristo disse que surgiria uma multidão de falsos profetas e induziram ao erro muitos homens. (Mateus: 24: 11) Também não se esqueçam do dito sábio dos antigos: “CREIAM EM DEUS QUE É SANTO VELHO”.

 

                 Por: Sebastião Ramos, funcionário público federal. sebastianramos7@gmail.com

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