Amazônia, Brasil, Meio Ambiente

A Amazônia e o estígma da caça predatória

A Amazônia vem sofrendo uma expoliação da biodiversidade animal desde a colonização portuguesa. A caça predatória e o tráfico de animais silvestres enriqueceu a muitos e ainda enriquece. Carnes de várias espécies cinegéticas “enriquecem” os ventres gulosos de uma elite dominante que paga fortunas por quilo de animal abatido.

Esse hábito aquece o hediondo comércio e fomenta a “esterilização” das matas, transformando-as em florestas vazias e prejudicando cadeias alimentares de animais topo de pirâmide alimentar. Também a propagação de diásporos reprodutivos fica muito prejudicada.

Cutias, por exemplo, são importantes dispersoras/plantadoras de diversas espécies, mais notadamente as oleaginosas. Como exemplo podemos citar o murumurú (Astrocaryum murumuru ), o tucumã (Astrocaryum aculeatum) e o mucajá (Acrocomia aculeata ), também chamada castanha-de-cutia. Hoje pela manhã fui chamdo pela autoridade ambiental para receber cerca de 150 kg de carne de caça.

A doação tem como objetivo a alimentação dos carnívoros hospedados na RPPN REVECOM. Recebemos, sob o TERMO DE DOAÇÃO GEA – IMAP 152 kg de caça, referente ao Termo de Apreensão número 015788. A conferência das carcaças apontou 71 animais abatidos. Muitos dos animais eram jovens, fruto do processo reprodutivo ocorrido no período. A visão de tanto animais mortos causa repulsa e revolta. É o “biquinho” da ponta do iceberg do que acontece sob a sombra do manto florestal amazônico.

Paulo Amorim

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

Discussão

4 comentários sobre “A Amazônia e o estígma da caça predatória

  1. Aos indoutos que acham que o saco deste povo tem fim, nao se engane…a legalizaçao da caça só aceleraria o fim.

    Publicado por Fauna Flora Brasil | 06/06/2012, 23:02
  2. Se a caça fosse regulamentada e com o devido estudo das populações, definindo temporada e cotas e com a devida fiscalização (como acontece em quase todo mundo) esse comércio não existiria!!!

    Publicado por Valdez | 04/23/2012, 15:21
  3. foi como o Paulo Amorim falou: “isso é só o ‘biquinho” da ponta do iceberg. Isso daí é pouco pro que realmente acontece

    Publicado por DEMIS RILKER | 04/15/2012, 10:26
  4. Nossa, que imagem horrível de feia. Eu não sabia que a caça predatória na Amazônia era tão forte.Estou impressionada!!!!

    Publicado por Lorena Gomes | 04/12/2012, 15:19

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