Amazônia, Brasil

Embrapa participa de Audiência Pública sobre uso do cipó-titica pelos artesãos do Amapá

A raiz do cipó-titica, recurso florestal não-madeireiro fartamente encontrado no Amapá, ganha forma de cestas e artefatos nas mãos de artesãos locais e também serve de matéria-prima para móveis refinados fabricados em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Para discutir problemas e soluções relacionados à extração e uso desta espécie, a Assembléia Legislativa reúne nesta quinta-feira, 11 de maio, entidades representativas dos artesãos, gestores de órgãos públicos, técnicos especialistas no assunto e interessados em geral, para uma Audiência Pública de iniciativa do deputado Keka Kantuária (PDT). Os objetivos da Audiência Pública são contribuir para a elaboração de políticas públicas e a readequação da Lei estadual número 0631/2001, que trata das normas para extração e comercialização do cipó-titica.

Uma das instituições convidadas é a Embrapa Amapá e estará representada pelo analista da área de transferência de tecnologias, engenheiro florestal José Antônio Leite de Queiroz, que já participou de estudos silviculturais da planta. Outra linha de pesquisa abordou a dinâmica econômica da extração e comercialização, promovendo entre outras ações capacitação em design para artesãos, e foi coordenada pelo pesquisador Antonio Claudio Almeida da Carvalho.

Os dados obtidos nas pesquisas contribuíram para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amapá (Sema) elaborar a Instrução Normativa que regulamenta as práticas de manejo do cipó-titica no estado do Amapá. O manejo é a condição exigida na Lei Estadual, editada em 2001, para que o cipó-titica extraído no Amapá possa ser exportado. O cipó-titica é da espécie botânica Heteropsis flexuosa, encontrada na Amazônia em áreas de florestais naturais de terra firme. Na fase adulta, o caule é grosso e lenhoso com fibra altamente resistente e durável, por essas características é utilizado na indústria moveleira e também para artefatos e objetos artesanais.

Dulcivânia Freitas

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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