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Ordem dos Músicos do Brasil tem nova diretoria

Alcyr Guimarães assume Ordem dos Músicos no ParáOs músicos Marcos e Alcyr Guimarães têm um desafio pelos próximos três anos. No comando da nova diretoria da Ordem dos Músicos do Brasil, seção Pará, eles precisam reconquistar o respeito da classe artística, resgatar credibilidade e, acima de tudo, aproximar a categoria musical do trabalho da entidade. Desde que assumiram os cargos de presidente e vice-presidente da OMB, no final de março de 2012, a dupla quer alcançar o objetivo primeiro de colocar a casa em ordem. Uma das medidas iniciais para conseguir tal empreitada foi o anúncio do perdão das dívidas referentes à anuidade devida pelos membros da instituição. As pendências correspondem aos períodos anteriores ao ano atual, com a convocação para o comparecimento dos músicos para recadastramento na sede da Ordem até o próximo dia 22 de junho.

“O recadastramento não implica necessariamente a obrigatoriedade do pagamento”, ressalta o presidente Marcos Guimarães. Ainda assim, a iniciativa é uma forma de tentar equilibrar uma estatística desigual. Segundo Marcos, dos mais de 15 mil músicos inscritos na Ordem apenas 1.500 estão com as contas em dia. É um dos muitos gargalos da OMB. Prestes a completar 50 anos de existência, até hoje a Ordem dos Músicos não conseguiu estabelecer um piso salarial. Fiscalizar a atividade e o exercício ilegal da profissão apenas engorda a lista de problemas. “Não temos gente suficiente, há uma equipe de seis pessoas para fiscalizar as centenas de bares e festas que ocorrem na cidade”, confessam. Mesmo assim, eles continuam otimistas. “É trabalhoso, os desafios são grandes, mas vamos fazer dar certo”, confia Alcyr.

Quem não comparecer à sede e tiver débito superior aos três anos estipulados será desligado. A Ordem dos Músicos do Pará planeja colocar em prática projetos para conquistar benefícios para a categoria. Entre as ações estão projetos de lei e convênios encaminhados à Assembleia Legislativa do Estado do Pará o convênio com a Secretaria de Estado de Educação para o fornecimento de profissionais da área no ensino da música nas escolas. “Vamos fomentar material humano do magistério da música. O processo já está tramitando e acredito que ainda este ano esse convênio saia”, afirma Marcos.

Estuda-se com uma instituição federal a possibilidade de financiamento da “Cidade da Música”, que prevê a construção de um conjunto habitacional, retiro dos artistas e anfiteatro. Além disso, há ainda a iniciativa de projeto de lei de incentivo cultural de redução de carga tributária para os empresários que estimulam a execução de música ao vivo nos estabelecimentos do Estado. “Estamos com vários convênios que de fato vão inviabilizar a atividade dos músicos que não estiverem cadastrados na ordem”, diz Marcos Guimarães. E a lista não acaba aí, a diretoria negocia com o INSS alternativas conseguir a aposentadoria coletiva de músicos que nunca contribuíram com a instituição.

“Que uma parte seja paga pelo governo e o resto tenha a anistia”, exemplifica o presidente. A Ordem fechou ainda uma parceria com a União Paraense dos Servidores Públicos que permite ao músico registrado acesso a atendimento médico, ambulatorial e também descontos na aquisição de instrumentos musicais. “O que se está tentando agora é obter credibilidade e receber a boa vontade dos músicos”, aponta Alcyr. O vice-presidente deseja que os colegas do setor acreditem na seriedade do trabalho que será desenvolvido. “Que os músicos entendam que a gente só tá tentando ajudar o coletivo. A gente fica até o momento que for sério. No momento que deixar de ser sério a gente sai”, discursa.

Cinco décadas de história
Para as comemorações dos 50 anos da Ordem dos Músicos do Brasil, celebrado em novembro de 2012, a nova gestão quer organizar um festival de música, uma premiação dos melhores do ano, além de lançar uma campanha para estimular a profissão e convidar os músicos paraenses a conhecerem o trabalho da Ordem.

O que faz a Ordem dos Músicos do Brasil?
Fiscaliza o exercício profissional da atividade dos músicos

Onde fica a sede da Ordem no Pará?
Rua 15 de novembro, 226.

Horário de funcionamento: 9h às 17h30
Fones: 3212-7060/8897-3631

Para entrar na Ordem
A Ordem divide o músico em duas categorias. O profissional, que tem diploma ou licenciatura e bacharelado na área. E o músico prático, comumente chamado de autodidata. Para adquirir a carteira que garante o exercício legal da profissão, o candidato deve solicitar o agendamento uma avaliação com a banca examinadora, composta por três profissões da Ordem.

Na internet:
www.ombpa.blogspot.com/

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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