Competição de Cannes fala inglês em 2012

Briga pela Palma de Ouro deixa de ser eurocêntrica e abre espaços para estrelas em produções norte-americanas e britânicas

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes

 

Frances McDormand e Bruce Willis em “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson/Foto: Divulgação

No ano passado, o americano “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick, conseguiu a difícil missão de levar a Palma de Ouro no Festival de Cannes numa competição completamente eurocêntrica – 14 dos 20 concorrentes eram do continente. Em 2012, os filmes de língua inglesa têm mais chances: são oito produções entre as 22 que disputam a Palma de Ouro.

A começar pelo longa-metragem que abre oficialmente a disputa da 65ª edição, nesta quarta-feira (16) – “Moonrise Kingdom” marca a estreia de Wes Anderson na Croisette.

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Fora ele, há ainda “Killing Them Softly”, do neozelandês Andrew Dominik (“O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”); “Lawless”, do australiano John Hillcoat (de “A Estrada”); “Mud”, do americano Jeff Nichols; e “The Paperboy”, de Lee Daniels, que participou da seção Um Certo Olhar em 2009 com “Preciosa”.

Também são falados em inglês o canadense “Cosmópolis”, de David Cronenberg, a coprodução Reino Unido-França-Bélgica-Itália “The Angel’s Share”, de Ken Loach, e “Na Estrada”, versão do livro de Jack Kerouac feita pelo brasileiro Walter Salles, que participa pela terceira vez da competição.

Essa lista significa uma outra coisa: muitos astros e estrelas, coisa que Cannes nunca deixou de apreciar. O elenco desses filmes conta com gente como Brad Pitt, Robert Pattinson, Kristen Stewart, Reese Witherspoon, Bruce Willis, Zac Efron, Shia LaBeouf, Tom Hardy, Jessica Chastain, Mia Wasikowska e Matthew McConaughey (que está em “Mud” e “The Paperboy”).

Nicole Kidman também tem dois filmes no festival, “Paperboy” e o telefilme Hemingway & Gellhorn, ao lado de Clive Owen. Outra que aparece em dose dupla é Isabelle Huppert, num papel pequeno em “Amour”, de Michael Haneke, e num personagem maior no sul-coreano “Da-Reun Na-ra-e-suh”, ou “In Another Country”, de Hong Sangsoo – o longa terá competição de um conterrâneo, “Do-Nui Mat”, de Im Sang-soo.

Outras estrelas francesas também participam, como Marion Cotillard, em “De Rouille et D’Os”, de Jacques Audiard, que volta a Cannes depois do Grande Prêmio do Júri por “O Profeta”. Do país-sede também vêm “Vous N’avez Encore Rien Vu”, de Alain Resnais, prestes a completar 90 anos, e “Holy Motors”, de Leos Carax. Completam a esquadra europeia “Dupã Dealuri”, do romeno Cristian Mungiu, “Jagten”, do dinamarquês Thomas Vinterberg, “Paradis: Liebe”, de Ulrich Seidl, “Reality”, do italiano Matteo Garrone, e “V Tumane”, do bielorrusso Sergei Loznitsa.

A África comparece com o egípcio “Baad el Mawkeaa”, de Yousry Nasrallah. O mexicano “Post Tenebras Lux”, de Carlos Reygadas, é o único representante latino-americano da competição.

O iraniano Abbas Kiarostami aparece com a coprodução França-Japão “Like Someone in Love”, rodada em Tóquio. Ele é um dos quatro competidores deste ano que já venceram o prêmio principal. Os outros são Michael Haneke (“A Fita Branca”), Cristian Mungiu (“4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”) e Ken Loach (“Ventos da Liberdade”).

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O júri da competição é presidido pelo cineasta italiano Nanni Moretti e integrado pelos diretores Andrea Arnold (Reino Unido), Alexander Payne (EUA) e Raoul Peck (Haiti), pelo estilista Jean-Paul Gaultier (França) e pelos atores Hiam Abbass (Palestina), Emmannuelle Devos (França), Diane Kruger (Alemanha) e Ewan McGregor (Reino Unido).

Moretti disse à agência AFP que espera ser surpreendido. Segundo o delegado geral Thierry Frémaux, o cineasta italiano não deve ficar desapontado: “Essa é a vocação de Cannes: seja Reygadas ou Leos Carax, Moretti não poderá dizer que já viu isso 50 vezes”.

Veja abaixo a lista completa de concorrentes pela Palma de Ouro no Festival de Cannes 2012:
“Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson (EUA)
“Post Tenebras Lux”, de Carlos Reygadas (México)
“Na Estrada – On the road”, de Walter Salles (Brasil)
“De Rouille et L’Os”, de Jacques Audiard (França)
“Holy Motors”, de Leos Carax (França)
“Cosmopolis”, de David Cronemberg (Canadá)
“The Paperboy”, de Lee Daniels (EUA)
“Killing Them Softly”, de Andrew Dominik (Austrália)
“Reality”, de Matteo Garrone (Itália)
“Amour”, de Michael Haneke (Áustria)
“Lawless”, de John Hillcoat (Austrália)
“Da-Reun Na-Ra-E-Suh”, de Sangsoo Hong (Coreia do Sul)
“Do-Nui Mat”, de Sangsoo Im (Coreia do Sul)
“Like Someone in Love”, de Abbas Kiarostami (Irã)
“The Angels’ Share”, de Ken Loach (Grã-Bretanha)
“Im Nebel” de Sergei Loznitsa (Ucrânia)
“Beyond the Hills”, de Cristian Mungiu (Romênia)
“Baad el mawkeaa”, de Yousry Nasrallah (Egito)
“Mud”, de Jeff Nichols (EUA)
“Vous n’avez encore rien vu”, de Alain Resnais (França)
“Paradies: Liebe”, de Ulrich Seidl (Áustria)
“Jagten”, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)

 

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