Brasil, Ciência e Tecnologia

Mais de 64% dos brasileiros não sabe ou não quer utilizar a web | Tecnologia – Correio do Estado

A exclusão digital no Brasil tem facetas que vão além da dificuldade de se adquirir um computador ou de ter acesso à internet. Mais de 64% dos brasileiros não acham a ferramenta necessária ou simplesmente não sabem utilizá-la. É o que apontou o Mapa da Inclusão Digital, estudo feito em parceria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a operadora de telefonia Vivo através da Fundação Telefônica.

Desinteresse pela internet é o motivo dado por 33,14% das pessoas para não ter acesso ao serviço e também a principal razão pela qual o uso da internet nas regiões Sul e Sudeste. Em Florianópolis, por exemplo, uma das capitais com maior inclusão digital do Brasil, 62,10% da população mencionou que não acha necessário o acesso à rede mundial. No Rio de Janeiro, 54,13%. Outros 31,45% dos entrevistados na pesquisa simplesmente não sabe usar a internet.

No Nordeste, as pessoas deixam de usar a internet por culpa da falta de conhecimento da ferramenta. É o que disseram 46,75% das pessoas entrevistadas em João Pessoa (PB), por exemplo. No Norte, a falta de acesso a um computador ainda fala mais alto. Foi o motivo dado por 41,86% dos participantes da pesquisa. O Amapá é o pior estado no quesito acesso a internet no Brasil.

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Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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