Amazônia – Encontro das parteiras cumpriu objetivos

As parteiras tradicionais são um patrimônio humano e social do nosso Estado”, afirmou a deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) durante o II Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais. “Não compreendo como elas foram abandonadas durante tanto tempo. São mulheres guerreiras, corajosas e, sobretudo, de presença insubstituível nas localidades onde a saúde é difícil de chegar, como nas longínquas beiras de rio, nas aldeias, nas brenhas das florestas… A partir de agora elas terão todo o apoio e ajuda do Estado para cumprirem sua missão”, arrematou a socialista.

De fato, durante os oito anos que antecederam o atual governo do PSB, o projeto Parteiras Tradicionais do Amapá não recebeu atenção do Estado. O último encontro internacional das parteiras tradicionais ocorreu em 1998.

Agora, o Governo do Amapá realizou, entre os dias 22 a 26 de maio, o II Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais. O evento foi coordenado pelas Secretarias de Inclusão e Mobilização Social, da Saúde, IEPA (Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá) e Escola de Administração Pública do Estado. A deputada federal Janete Capiberibe, responsável pela implantação do Projeto Parteiras, no Amapá, entre 1995 e 2002, supervisionou pessoalmente todas as etapas da organização e do Encontro.

Mais de 90 parteiras tradicionais do Amapá frequentaram oficinas sobre procedimentos de assistência a partos (novas técnicas, higiene, prevenções, uso correto dos equipamentos médicos, dentre outros) e, ao final do curso, cada uma recebeu um kit parteira, do programa Rede Cegonha, do Ministério da Saúde.

Parteiras de vários Estados brasileiros e da América Latina, pesquisadores, representantes dos governos federal e estaduais e de organizações da sociedade civil participaram dos dois dias do Encontro.

O Grupo Curumim, através do projeto “Parteiras tradicionais: inclusão e assistência do parto domiciliar no SUS”, ratificou o compromisso de continuar prestando assessoria às parteiras do Amapá. O objetivo é que elas possam exercer seu trabalho com segurança, humanização e que respeito às diversidades geográficas, sociais e étnico-culturais próprias das parteiras tradicionais, indígenas e quilombolas. A troca de experiências se dará pelo fortalecimento do vínculo da entidade com as parteiras tradicionais, como estratégia para a promoção da saúde e redução da morbimortalidade materna e neonatal no Brasil.

Ao final do Encontro, as parteiras tradicionais apresentaram sugestões e reivindicações para melhorarem seu trabalho. As propostas integram a Carta do Encontro das Parteiras Tradicionais que será enviada a diversas instâncias do poder público para que tomem providências conforme as manifestações do segmento. As reivindicações mais constantes trataram de transporte (lanchas e custeio de combustível e outros), medicamentos, remuneração e capacitação.

Texto: Euclides Moraes

Fotos: Silvana Guimarães

Gabinete da deputada federal Janete Capiberibe – PSB/AP

Apoio do Ministério da Saúde

Thereza Delamare, diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (Dapes) do Ministério da Saúde, representou o ministro da Saúde Alexandre Padilha. Ela aprovou e agradeceu ao povo amapaense a atenção que dedica às parteiras do Brasil manifestada na realização do II Encontro internacional das Parteiras Tradicionais e ressaltou a importância das parteiras para as mulheres que não têm o acesso à saúde. “Elas têm um dom, que é de trazer a vida. São profissionais que vêm de raízes, que resgatam toda a história do Amapá e do Brasil. Declaro meu orgulho em ver de perto o empenho de todos que fizeram com que esse momento fosse realizado”.

Palavra da parteira – Maria José, do município de Amapá, disse que o evento reconheceu o valor e a importância do trabalho realizado pelas parteiras. “A gente chega até a auxiliar nos trabalhos domésticos da cozinha, da lavagem da roupa, do cuidado com as crianças, além de assistir à mãe após o parto, observando sintomas e orientando sobre registro de nascimento e vacinações”, diz a parteira.

Texto: Euclides Moraes

Fotos: Silvana Guimarães

Gabinete da deputada federal Janete Capiberibe – PSB/AP

Ritual do Fogo encerrou II Encontro das Parteiras

As parteiras, que têm por missão “pegar” meninos, como se diz na Amazônia às pessoas que ajudam as grávidas a dar à luz, acreditam que o seu trabalho vem de um dom de Deus, abençoado pelas forças da terra, da água e do ar.

É assim que, para reverenciar esses elementos da natureza, parteiros e parteiras – índios, quilombolas, evangélicos, ribeirinhos e urbanos fecharam o Encontro com um ritual de magia e superstição, chamado Ritual do Fogo.

O ritual – Com tochas e ramos de açaizeiro, as parteiras se unem em momento de fé, orando, cantando, pedindo proteção aos santos e à natureza para que abram os seus caminhos e nada as impeça de realizar um bom parto.

Para as parteiras e os parteiros, o fogo representa a vida, a água, a bolsa amniótica e a terra, a nova geração. “Todos nós viemos do pó e para o pó voltamos”, explica uma das parteiras.

Munidas de sabedoria, coragem e solidariedade, as parteiras vêm “pegando meninos” há gerações. Algumas delas foram iniciadas na jornada por parteiras mais velhas da própria família – suas mães, tias, avós.

Esse conhecimento empírico ganhou respeitabilidade e reconhecimento ao longo das últimas décadas, chamando a atenção de pesquisadores, das mídias nacional e internacional e do Ministério da Saúde (MS).

Texto: Euclides Moraes

Fotos: Silvana Guimarães

Gabinete da deputada federal Janete Capiberibe – PSB/AP

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