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Conselheiros do TCE do Acre ganham salários acima de 100 mil

A ex-professora e ex-deputada petista Naluh Gouveia está entre os conselheiros do Tribunal de Contas do Acre que recebem os menores salários. O total do salário dela é de R$ 33.764,66, sendo o valor líquido, após descontos, de R$ 18.702,64.

O contracheque da conselheira foi publicado no Facebook da repórter Angélica Paiva junto com o contracheque da conselheira Dulcinea Benício de Araújo, ex-advogada do PT, cujo salário bruto é de R$ 28.941,14. Ambas decidiram tornar público os valores dos salários baseadas na Lei de Acesso à Informação.

- Muito corajosa Naluh Maria Gouveia em deixar divulgar esse contracheque. Quebra alguns tabus de que o salário seria absurdo. Acho até injusto pela história de luta dela. Tem gente aí que nunca deu um prego numa barra de sabão ganhando quase isso ou mais – comentou a jornalista Lamlid Nobre, assessora do PT do Acre.

Mas foi o comentário do professor de ciências sociais Nilson Euclides da Silva, da Universidade Federal do Acre, que desagradou à ex-professora.

- Acho que a Naluh não lembra que um dia foi professora.

Consultada pelo blog, Naluh Gouveia fez um desabafo:

- É muito complicado tudo isso. Respeito os comentários, mas alguns doem, como aquele que eu já teria esquecido que fui professora. Ninguém fala dos votos. Eu eu era uma professora muito boa, exemplar. É um absurdo a relação salário mínimo com os nossos salários de conselheiros. Mas daí a colocar qualquer comentário sobre quando eu era professora é demais. Fui um exemplo de professora. Era a primeira que chegava e a última que saia. Implorava para fazermos greve. Quantas greves fizemos com 100 pessoas. Respeito todos os comentários, mas nada que questione minha postura como professora. Dói muito. Trabalhei muito com asma porque nunca gostei de faltar. No conjunto Tangará todo mundo sabe disso. Formada em letras, trabalhei nove anos nos bairros da baixada de Rio Branco. Ninguém queria ir para lá porque era o tempo dominado pelo traficante Marrosa. Por isso eu era a deputada mais votada na baixada. Na minha vida como professora, só coloquei um aluno, o Odair, para fora de aula uma vez. No outro dia, pedi desculpas a ele e à sua turma. Depois reencontrei o aluno na penal e passei a visitá-lo. Desculpa o desabafo. É que aceito tudo, pois não sou santinha e nunca fui. Tenho fraquezas e equívocos horríveis, mas mexer com minha vida de professora, não aceito. Nunca homem nenhum me ajudou a criar minhas filhas. E nenhuma delas trabalha no governo. Bobagem minha, Altino.

Bem, no Tribunal de Contas do Acre, existem conselheiros que ganham mais de R$ 60 mil. Um deles, aposentado, recebe mais de R$ 100 mil, além de ter mulher e filha com altos salários na corte. A sociedade espera que haja transparência naquela ilha de prosperidade e privilégios.

Autor: Altino Machado

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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