Em discurso no Plenário nesta quarta-feira (13), o senador João Capiberibe (PSB-AP) fez uma defesa do Ministério Público do Amapá. O senador disse que as instituições precisam ser respeitadas para funcionar com independência.

João Capiberibe relatou que, nos últimos meses, algumas medidas têm sido tomadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, em represália à uma operação especial chefiada pelo Ministério Público. Segundo o senador, a operação Eclesia, realizada em parceria com a Polícia Civil do Estado, procurou combater desvio de recursos públicos, favorecimento a empresas e prática de nepotismo na Assembleia Legislativa.

De acordo com Capiberibe, logo após a operação, a Assembleia aprovou requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações do Ministério Público Estadual com empresas de mineração.

– Foi uma represália para constranger o Ministério Público do Estado – disse o senador.

Capiberibe disse que o deputado Moisés Souza (PSC), presidente da Assembleia do Amapá, ultrapassou “os limites do absurdo” ao entrar com uma representação contra a procuradora-geral do Ministério Público do Estado, Ivana Cei, procurando destituí-la do cargo. Seria mais uma tentativa de intimidar a investigação. O senador disse que informações dão conta de que o Ministério Público tem provas suficientes até para pedir a prisão de deputados estaduais.

Na visão do senador, a Assembleia é reincidente em práticas delituosas, já que a operação Mãos Limpas, realizada pela Polícia Federal em 2010, mostrou desvios no órgão, com deputados recebendo diárias que poderiam somar até R$ 400 mil reais ao ano. Capiberibe ainda contou que empréstimos consignados feitos pelos deputados como pessoas físicas eram pagos pela Assembléia Legislativa.

– No que depender do nosso esforço, o Ministério Público continuará recebendo nosso apoio – disse o senador.