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Advogado diz que Matsunaga estava prestes a trocar Elize por amante

Daniel Favero

Divulgação

Roberto Parentoni, advogado de Natália, amante de Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos – executivo da Yoki assassinado e esquartejado pela mulher, Elize, disse nesta quarta-feira que a vítima estava prestes a se mudar para um apartamento que já estava sendo montado com sua cliente. “Essa separação só não se concretizou como uma separação legal por causa do que ocorreu. Eu acredito que, hoje, eles estariam separados”.

“Marcos estava com receio de que pudesse acontecer alguma coisa com vida dele, dela (Natália) ou com a criança. Ele tinha receito porque já estava separado, de fato, há mais de um ano, bem antes deles (ele e Natália) se conhecerem”, afirmou.

Segundo o advogado, Matsunaga deu R$ 27 mil para Natália para que fosse montado o apartamento onde os dois viveriam. O executivo deu ainda para a amante um veículo avaliado em mais de R$ 60 mil, além de ter pedido para que fosse blindado, em virtude dos temores que tinha pela segurança dos dois e da filha. “Ele chegou a relatar que estava preocupado com a segurança dela, da filha e dele. Mas ele sabia se segurar, só que ele não esperava que acontecesse na casa dele.”

Natália tem 23 anos e conheceu Matsunaga em uma feira de negócios, há mais de um ano. Segundo o advogado, ela já não trabalhava mais como garota de programa quando conheceu o executivo, mas está com medo da repercussão que o caso teve na mídia, o que fez com que ela se refugiasse na casa de parentes.

“A preocupação dela é de que ela tem 23 anos de idade, ela estava namorando esse rapaz, descobriu que ele morreu pela imprensa… tem gente da imprensa na frente da casa dela, da casa dos pais dela, no Ceará… ela está com receio, com medo, abalada psicologicamente, até de que possa acontecer algo com ela (…) ela está com a família, porque está com receio até de sair na rua”, disse.

Executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, foi considerado desaparecido em 20 de maio. Sete dias depois, partes do corpo foram encontradas em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo apuração inicial, o empresário foi assassinado com um tiro e depois esquartejado. Principal suspeita de ter praticado o crime, a mulher dele, a bacharel em Direito e técnica em enfermagem Elize Araújo Kitano Matsunaga, 38 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 4 de junho. Ela e Matsunaga eram casados há três anos e têm uma filha de 1 ano. O empresário era pai também de um filho de 3 anos, fruto de relacionamento anterior.

De acordo com as investigações, no dia 19 de maio, a vítima entrou no apartamento do casal, na zona oeste da capital paulista e, a partir daí, as câmeras do prédio não mais registram a sua saída. No dia seguinte, a mulher aparece saindo do edifício com malas e, quando retornou, estava sem a bagagem. Durante perícia no apartamento, foram encontrados sacos da mesma cor dos utilizados para colocar as partes do corpo esquartejado do executivo. Além disso, Elize doou três armas do marido à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo antes de ser presa. Uma das armas tinha calibre 380, o mesmo do tiro que matou o empresário.

Em depoimento dois dias depois de ser presa, Elize confessou ter matado e esquartejado o marido em um banheiro do apartamento do casal. Ela disse ter descoberto uma traição do empresário e que, durante uma discussão, foi agredida. A mulher ressaltou ter agido sozinha. No dia 19 de junho, o juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri no Fórum da Barra Funda, aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e decretou a prisão preventiva da acusada.

Terra

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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