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Aliados de Lugo contam com Unasul e Mercosul para impedir impeachment

Secretária do Ambiente do país diz que presidente foi eleito democraticamente e não interessa uma ruptura constitucional

Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro

Foto: Norberto Duarte/AFP

A delegação paraguaia presente na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, conta com o apoio da União das Nações Sul-americanas (Unasul) e do Mercosul para tentar neutralizar o início do processo de impeachment contra o presidente do país, Fernando Lugo, aprovado pela Câmara de Deputados, por 73  votos a 1.

A secretária do Ambiente do Paraguai, Sonia Servin, afirmou ao iG, na Rio+20, que “espera o apoio da Unasul e do Mercosul”. “O presidente foi eleito democraticamente e não interessa uma ruptura constitucional. As próximas eleições são só em agosto de 2013. Esperamos ter o apoio da Unasul e do Mercosul”, disse Sonia, que integra a comitiva do governo Lugo na Rio+20.

Tensão: Câmara aprova procedimento de impeachment contra Lugo

O chanceler da Venezuela convocou uma reunião extraordinária para a tarde desta quinta-feira, durante a Rio+20, para tratar emergencialmente da questão do Paraguai.

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, deve ir ao encontro. No fim da manhã desta quinta-feira, antes do anúncio sobre a decisão da Câmara paraguaia, o presidente equatoriano, Rafael Correa, saiu do Riocentro avisando que voltaria imediatamente ao seu país.

Segundo a secretária do Ambiente do Paraguai, o “Parlamento paraguaio está acostumado a agir de forma arbitrária”. Ela também não soube precisar quando se definiria esse processo de impeachment. “Depende. Poderia acontecer a qualquer momento, não se sabe quando. A expectativa era de que essa discussão sobre o impeachment levaria algum tempo e já votaram hoje”, disse Sonia Servin.

Reintegração: Presidente Lugo suspende viagem à Rio+20 por conflito de terra no Paraguai

Segundo ela, camponeses estariam sendo manipulados e levados à capital para pressionar o governo, após a morte de 11 sem-terra e seis policiais em uma violenta reintegração de posse de terra. O Exército estaria atuando de modo a mantê-los fora de Assunção, afirmou a secretária.

Reunião de emergência

A Unasul se reunirá em caráter de urgência no Rio de Janeiro para analisar a situação de Lugo, disse nesta quinta-feira o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que está na capital carioca para participar da Rio+20.

“Nós na Unasul defendemos a democracia e essa posição é fixa e não negociável”, afirmou o mandatário colombiano, ao anunciar o encontro emergencial.

Último Segundo

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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