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Estreia – Johnny Depp é vampiro anacrônico em “Sombras da Noite”

SÃO PAULO, 21 Jun (Reuters) – Não deixa de ser engenhosa a oitava parceria para o cinema entre o diretor Tim Burton e seu ator-fetiche Johnny Depp, em “Sombras da Noite”. Se de um lado o tema sobrenatural permite ao cineasta extravasar seus tão caros elementos de humor negro e visual gótico, por outro, dá a Depp (aqui, também produtor) a oportunidade de interpretar um papel que, segundo ele, sempre quis. Uma situação de mútuo proveito entre grandes amigos.

Inspirada na série de TV americana “Dark Shadows” (1966 – 1971), que andava esquecida antes de receber rótulo de “cult” com o anúncio do filme, a produção envereda mais para a comédia do que propriamente para o terror. Muito provavelmente pelas ingerências de Burton e do próprio Depp no roteiro, assinado por Seth Grahame-Smith (autor do livro original e roteirista do ainda inédito “Abraham Lincoln – O Caçador de Vampiros”).

Adaptações à parte, “Sombras da Noite” acompanha a história de Barnabas Collins (Depp), filho de um proeminente empreendedor inglês que fundou, na América, a cidade de Collinsport, em 1752. No entanto, a família não escapou de uma misteriosa maldição do Velho Mundo, concretizada pela esfuziante bruxa Angelique (Eva Green), com quem o protagonista teve um romance mas depois a trocou por outra mulher, Josette (Bella Heathcote).

Vítima do próprio fogo que atiçou, Barnabas não apenas perde sua amada como é transformado em vampiro por Angelique, que, como última vingança, o sepulta, acorrentado, em um caixão. O plano era deixá-lo assim por toda a eternidade, mas a bruxa não previu que, dois séculos mais tarde, no início da década de 1970, um empreendimento imobiliário desenterraria o vampiro.

Nesse confronto com a nova realidade e comportamentos, em especial com hippies tardios, o rock e as novas tecnologias, a produção encontra seu maior trunfo para concretizar seu humor. Quanto mais refratário e ignorante Barnabas é diante do que o cerca, mais inventiva é a comédia.

Esse complexo novo mundo é simbolizado pelos seus descendentes em Collinsport, uma família tão perturbada quanto decadente, liderada pela matriarca Elizabeth (Michelle Pfeiffer, que pediu o papel ao diretor). Estão lá alguns dos conflitos mais interessantes provocados pela adolescente rebelde (Chloë Grace Moretz, de “Kick-Ass”), a psiquiatra bêbada (Helena Bonham Carter, na sétima participação nos filmes do marido Burton), o mordomo ranzinza (Jackie Earle Haley) e o garoto que vê fantasmas (Gulliver McGrath, de “A Invenção de Hugo Cabret”).

Se Barnabas não pode mudar o que vê a sua volta, pelo menos tentará recuperar o prestígio dos Collins. Para isso, o protagonista enfrenta sua antiga algoz Angelique, agora uma rica empresária da cidade. Mais do que uma rival, a bruxa imortal é também uma amante cruel, o que torna tudo muito mais divertido.

O que se pode estranhar nesta produção de Burton são as inexplicáveis rupturas do roteiro ao longo da projeção. A mais visível é a linha do humor, simplesmente descartada quando dá lugar a um rocambolesco desfecho. E o que dizer da personagem Victoria (de novo Bella Heathcote), apresentada no início com pompas de heroína e reencarnação de Josette, que simplesmente vai sumindo da trama até um pequeno papel coadjuvante?

Com participações especiais do ator veterano Christopher Lee e do roqueiro Alice Cooper, como ele mesmo, “Sombras da Noite” é um trabalho entre amigos, amparado na competência de um elenco estelar. Como parceria entre Burton e Depp, talvez a nova produção pareça menor frente à primeira, “Edward Mãos de Tesoura” (1990), ou mesmo de “Ed Wood” (1994) e “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007). Mas nunca é irrelevante, como sempre atesta o talento de Burton e Depp.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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