José Jácome/EFE

O “George Solitário”, último sobrevivente da subespécie Chelonoidis nigra abingdoni, das tartarugas gigantes que dão nome às ilhas Galápagos, do Equador, foi encontrado morto neste domingo (24) no Parque Nacional Galápagos (DPNG).

Um comunicado da DPNG assinala que o guarda do parque Fausto Llerena, que cuidava da tartaruga, descobriu esta manhã que o animal não se movimentava e “ao verificar se deu conta que não tinha sinais vitais”.

“O corpo do quelônio estava em uma posição como se tivesse indo para o bebedouro de água”, detalhou a DPNG, ao apontar que as possíveis causas de sua morte, único sobrevivente da espécie da ilha Pinta, serão conhecidas após autópsia.

O corpo do “George Solitário” – cuja idade exata é desconhecida, mas “se estima que passasse dos cem anos”, segundo a DPNG – está no momento em uma câmara frigorífica para evitar sua decomposição.

A tartaruga era oriunda da ilha Pinta, a mais setentrional das Galápagos, e foi resgatada em 1972 por um grupo de caçadores dedicados a erradicar as cabras, uma espécie introduzida pelo homem que dizimou o habitat e levou as tartarugas gigantes dessa ilha à beira da extinção.

Desde então, George tinha sido parte do programa de criação em cativeiro da DPNG. Foram realizadas diferentes iniciativas para a reprodução, inicialmente com fêmeas da espécie do vulcão Wolf da ilha Isabela, com as quais conseguiu acasalar após 15 anos de convivência, mas os ovos não foram férteis.

Posteriormente foram colocadas em seu curral fêmeas da espécie da ilha Española, geneticamente mais próximas, com as quais estava até agora.

Edwin Naula, diretor da DPNG, mencionou que para no próximo mês será feita uma oficina internacional para elaborar a estratégia de manejo das populações de tartarugas para os próximos dez anos, com o propósito de conseguir sua restauração.

“A oficina será realizada em honra de ‘ George Solitário'”, informou a DPNG, ao apontar que “seu legado será um maior esforço em pesquisa e gestão para restaurar a ilha Pinta e todas as outras povoações de tartarugas gigantes de Galápagos”.

As Ilhas Galápagos devem seu nome às grandes tartarugas que a habitam e suas reservas terrestre e marinha contêm uma rica biodiversidade, considerada como um laboratório natural, que permitiu ao cientista britânico Charles Darwin desenvolver sua teoria sobre a evolução e seleção natural das espécies.

O arquipélago de Galápagos fica a cerca de mil quilômetros do litoral continental equatoriano e foi declarado em 1978 como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Via Ig