Amazônia, Brasil, Política

Presidente do Legislativo do AP e mais 16 são denunciados por ‘contrato fantasma’

Presidente da ALAP – Moisés Souza

O presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, Moisés Souza (PSC), foi denunciado pelo Ministério Público nesta segunda-feira (25) sob acusação de integrar esquema que teria desviado mais de R$ 5 milhões da Casa.

Segundo a denúncia, Souza e outras 16 pessoas tinham conhecimento de uma espécie de “contrato fantasma” assinado com uma cooperativa de veículos “para permitir a apropriação ilegal do dinheiro público”.

Entre os denunciados está o deputado e primeiro-secretário Edinho Duarte (PP), servidores da Assembleia e membros da Cootram (Cooperativa de Transportes de Veículos Leves e Pesados do Amapá).

A Cootram foi contratada sem licitação em março de 2011 para alugar carros, mas, segundo a Promotoria, forneceu notas fiscais sem prestar o serviço.

Mesmo com a existência do contrato, todos os deputados solicitaram no ano passado verba indenizatória para cobrir despesas de aluguel de veículos. Só o presidente Moisés Souza, por exemplo, pediu R$ 417.910 de volta.

Folha teve acesso ao depoimento do presidente da cooperativa, Sinésio Leal da Silva, que reconheceu ter emitido notas frias.

Segundo o diretor financeiro Sidney Jorge de Oliveira, que não foi denunciado, a Cootram não tem sede nem assinou contratos com órgãos públicos desde janeiro de 2011. Ele afirmou à reportagem que suas assinaturas foram falsificadas.

OUTRO LADO

A assessoria de imprensa do presidente Moisés Souza declarou que ele não tinha conhecimento de irregularidades e que os serviços contratados foram prestados. Afirmou ainda que o contrato emergencial (sem licitação) era necessário na ocasião.

O advogado de Edinho Duarte, Ribanês Aguiar, disse que o deputado é inocente.

O presidente da cooperativa disse por telefone que não poderia conversar com a reportagem.

FELIPE LUCHETE

Via Folha de São Paulo

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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