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STJ quer saber porque os desembargadores validaram a eleição de Moisés Souza que teve apenas nove votos

Geléia Geral – Correa Neto – Dos oito desembargadores do Tribunal de Justiça do Amapá, seis estão em Brasília, convocados pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, para explicar algumas coisas que ocorrem no Amapá, e que os ministros ainda não conseguiram entender. Quer dizer: os seis estarão sentados do outro lado da mesa, lugar que já ocupei muitas vezes. Amanhã, quando começarem a falar, os seis desembargadores, que são: Mário Gurtyev, Dôglas Evangelista, Carmo Antônio, Agostino Silvério, Luiz Carlos Gomes e Gilberto Pinheiro, vão responder a perguntas incômodas como, que tipo de relação tão estreita é essa que existe entre a Justiça do Amapá e a Assembléia Legislativa coberta de denúncias de corrupção, a partir da eleição do deputado Moisés Souza que, com nove votos se elegeu presidente, ganhando dos quinze que votaram na chapa contrária à dele?

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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