OGX despenca mais de 25% e impede recuperação da Bovespa

Ibovespa vai na contramão das bolsas americanas, que sobem com dados econômicos bons nos EUA. Dólar sobe a R$ 2,08 com preocupação com Europa

Foto: Fernando Cavalcanti

Após dias de fortes quedas ou altas anêmicas, as bolsas de valores nos Estados Unidos e na Europa retomam firme trajetória de valorização nesta quarta-feira, impulsionadas por dados melhores que o esperado sobre a economia americana. Esses mesmos números, associados a persistentes temores com a zona do euro, dão respaldo ao dólar em todo o mundo, movimento replicado pelo mercado brasileiro de câmbio.

A Bovespa descola de seus pares internacionais e amarga perdas, puxadas pelo tombo de 25,69% das ações ordinárias da OGX Petróleo, para R$ 6,22, com volume de 780 milhões. A empresa definiu o nível de produção por poço no campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, o que está provocando uma reprecificação para baixo de seus papéis. O movimento afeta não afeta apenas a petrolífera, mas também outras companhias do grupo de Eike Batista.

Por volta das 15h20, o Ibovespa caía 0,74%, para 53.439 pontos. O volume financeiro da bolsa era de R$ 3,9 bilhões.

O destaque do noticiário doméstico é o anúncio pelo governo de mais um pacote para dar fôlego à economia. O chamado PAC Equipamentos – Programa de Compras Governamentais prevê um aumento das compras governamentais neste ano para R$ 8,43 bilhões.

O governo também reduziu a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que baliza os empréstimos do BNDES, de 6% para 5,5% para estimular os investimentos das empresas, conforme antecipou o Valor. O anúncio das medidas, em meio ao alerta de novas ações de estímulo econômico, mexe principalmente com o mercado de juros futuros, onde as taxas reverteram a alta de mais cedo e passaram a cair.

Dólar e juros

A valorização do dólar no exterior influencia as operações brasileiras de câmbio, e a moeda americana sobe pela sexta sessão consecutiva em relação ao real. Entre os “drivers” para o mercado estão a fraca expectativa para a reunião de cúpula de líderes europeus no final desta semana e a intensificação da “briga” entre comprados e vendidos na BM&F, típica do fim do mês.

Às 15h20, o dólar comercial subia 0,73%, para R$ 2,088 na venda, na máxima do dia.

No mercado de juros futuros, o anúncio do pacote de medidas do governo e, sobretudo, o alerta de que novas ações podem vir pela frente provocaram a queda nas taxas. Não é uma baixa expressiva, uma vez que as taxas já perderam uma dose importante de prêmio desde a segunda-feira, quando a redução da TJLP foi antecipada pelo Valor. Mas o recuo modesto das taxas confirma a percepção de que o governo não está tão seguro assim de que a atividade irá ganhar tração no segundo semestre, como vem afirmando.

Cenário externo

Na contramão de uma recente série de indicadores aquém do esperado nos EUA, as vendas pendentes de moradias subiram 5,9% em maio, mais do que compensando o declínio de 5,5% registrado em abril. Além disso, as encomendas à indústria subiram 1,1 no mês passando, acima das estimativas e sinalizando que o setor manufatureiro está se estabilizando.

No entanto, as preocupações com a Europa limitam altas mais acentuadas nas bolsas. Em Wall Street, o Dow Jones sobe 0,65%, o S&P ganha 0,71% e o Nasdaq valoriza 0,52%, enquanto naEuropa as bolsas fecharam em alta. Pesa sobre o sentimento do mercado o ceticismo com relação a uma reunião entre líderes europeus amanhã e na sexta-feira. As esperanças de que algo de concreto saia do encontro, que já eram fracas, ficaram ainda mais fragilizadas depois que a chanceler alemã, Angela Merkel, reiterou sua oposição à ideia de bônus conjuntos da zona do euro.

IG Economia * Com Valor Online

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