Brasil, Política

João Capiberibe promove audiência pública para tratar sobre violência no campo

Senador João Capiberibe

“Somos a quinta economia do mundo. É impensável um País como o nosso ter de conviver com a violência e, principalmente, com a violência contra as lideranças sindicais no campo brasileiro” – censura o senador João Capiberibe (PSB/AP), que promoverá uma audiência pública no Senado, às 9h da próxima segunda-feira (02/07), especialmente para tratar do assunto.

‘Assassinatos das Lideranças no Campo e Lideranças Indígenas’ é o tema da audiência pública, que contará com a participação de representantes da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, da Coordenação Geral do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, da Pastoral da Terra, do Instituto Socioambiental, da Secretaria de Regularização Fundiária na Amazônia Legal, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Fundação Nacional do Índio (Funai), da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), da Polícia Federal e da Associação Indígena Pankararu.

Capiberibe cita dois casos misteriosos de violência no campo brasileiro, ocorridos no ano passado. O primeiro é um assassinato e o segundo é uma ameaça de morte na região Norte, zona de conflito em razão da expansão indiscriminada e criminosa da fronteira agrícola. “Não se trata de um fenômeno restrito a essa região, mas que assola o País inteiro, como vemos cotidianamente” – alerta.

João Chupel Primo e Júnior José Guerra denunciaram o roubo de madeira no assentamento Areia, do Incra, cometido por madeireiros do oeste do Pará. Ambos informaram sobre a operação criminosa a, pelo menos, seis órgãos públicos, federais e estaduais, ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, à Polícia Federal, à Secretaria-Geral da Presidência da República, ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público do Pará e à Polícia Civil do Pará. Em 22 de outubro de 2011, João Chupel foi assassinado com um tiro na cabeça. Júnior José, seu companheiro, foi obrigado a fugir para não morrer, junto com a família.

O senador Capiberibe lembra que, somente nos dois últimos anos, foram cometidos pelo menos 15 assassinatos nessa Região, seja por conflitos pela posse da terra ou pelo controle da madeira. Os criminosos chegaram a transportar, em um único dia, 3.500 m3, o equivalente a 140 caminhões carregados de toras com um valor da ordem de US$3,5 milhões.

“São casos que merecem atenção. Precisamos salvar essas pessoas, e o Senado pode fazer isso. É por este motivo que convoco esta audiência pública, trazendo pessoas para prestarem seus depoimentos e busquemos formas de protegê-las. Somente a visibilidade pode garantir proteção à vida delas” – defende João Capiberibe.

A audiência pública da próxima segunda-feira ocorrerá no Plenário 02, da Ala Nilo Coelho do Senado Federal, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF). Mais informações pelo telefone (61)3303-9011/9013.

Aline Guedes 

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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