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Uma história real e as conseqüências da Violência Doméstica e Familiar

Trata-se de reflexão sobre a violência doméstica, com especial enfoque na violência psicológica.

Daniele Guedes

Esta se desenvolve como um processo silencioso, que progride sem ser identificado, deixando marcas em todos os envolvidos. Pela sua característica, a violência psicológica no interior da família, geralmente, evolui e eclode na forma da violência física. Com base neste entendimento destaca-se a importância de identificar as violências sutis que ainda se encontram em estágio embrionário. No entanto, aponta-se como um grande problema a dificuldade na identificação da violência psicológica doméstica, em razão de esta aparecer diluída em atitudes aparentemente não relacionadas ao conceito de violência.

Conforme a lei Maria da penha 11.340 de 07 de agosto de 2006 Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

A violência domestica se divide em várias formas conforme o artigo 7º da lei Maria da penha e uma delas é a violência Psicológica entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

Irei relatar uma historia real e dizer as conseqüências que essa violência traz a uma mulher e que afeta toda uma família.

A historia é de uma usuária pelo nome fictício “Joaquina“.

O Relato- “Sofro violência Domestica por parte do meu companheiro que é agressivo e bebe quase todos os dias. O mesmo não tem compromisso no trabalho, chega atrasado e muitas ausências no serviço. As brigas são diárias, sempre na presença dos nossos filhos. Os anos passaram e quase nada mudou, o ciclo da violência sempre permanece (tensões, agressões e lua de mel) as brigas ficaram constantes, porem, nunca tomei nenhuma decisão de denunciar, sempre pensando que um dia ele iria mudar, parar de beber e de me agredir na frente dos nossos filhos.sendo que as agressões só aconteciam quando estava alcoolizado.

Mas, o que fez para que eu tomasse uma atitude e a procurasse ajuda foi o comportamento inesperado do meu filho mais novo. Quando era criança e presenciava as brigas sempre ficava chorando em um canto da casa ou se trancava no quarto. Com o passar dos anos o menino na adolescência começou a ter um comportamento diferenciado, agressivo com o pai, até querendo mata-lo na ultima briga que tivemos. Começou a dormir tarde e acordar tarde, olhares penetrantes e desânimo para estudo. Procurei ajuda com psicólogos que me encaminharam para o psiquiatra e meu filho começou a tomar remédios controlados.

Na infância suportou as brigas em silencio, viu e ouviu os insultos do pai, na adolescência fez ao contrario quando brigamos ele parte pra cima do pai, xinga e até mesmo pegou algum instrumento cortante para intimidar o pai querendo me proteger, ”Desabafa”

Historias como esta, provoca traumas na vida de uma mulher e afeta principalmente os filhos, e se não houver ajuda profissional e familiar é muito difícil conseguir lidar com a situação. No caso da senhora Joaquina, só procurou ajuda quando percebeu que seu filho havia adquirido o Transtorno Mental e agora ira passar um longo processo de medicação com psiquiatra e psicólogo.

As formas de violência psicológica doméstica nem sempre são identificáveis pela vítima. Elas podem aparecer diluídas, ou seja, não serem reconhecidas como tal por estarem associadas a fenômenos emocionais freqüentemente agravados por fatores tais como: o álcool, a perda do emprego, problemas com os filhos, sofrimento ou morte de familiares e outras situações de crise. É importante destacar que a violência psicológica não afeta somente a vítima de forma direta. Ela atinge a todos que presenciam ou convivem com a situação de violência. Por exemplo, os filhos que testemunham a violência psicológica entre os pais podem passar a reproduzi-la por identificação ou mimetismo, passando a agir de forma semelhante com a irmã, colegas de escola e, futuramente, com a namorada e esposa/companheira.

De modo geral, as conseqüências da violência doméstica em crianças, segundo Miller (2002), são: ansiedade, que pode desencadear sintomas físicos, como dores de cabeça, úlceras, erupções cutâneas ou ainda problemas de audição e fala; dificuldades de aprendizagem; preocupação excessiva; dificuldades de concentração; medo de acidentes; sentimento de culpa por não ter como cessar a violência e por sentir afeto (amor e ódio) pelo agressor; medo de separar-se da mãe para ir à escola ou a outras atividades cotidianas; baixa auto-estima; depressão e suicídio; comportamentos delinqüentes (fuga de casa, uso de drogas, álcool etc.); problemas psiquiátricos. É importante enfatizar que a violência psicológica causa, por si só, graves problemas de natureza emocional e física. Independentemente de sua relação com a violência física, a violência psicológica deve ser identificada, em especial pelos profissionais que atuam nos serviços públicos, sejam estes de saúde, segurança ou educação.Como já dito anteriormente, isso significa que a violência psicológica deve ser enfrentada como um problema de saúde pública pelos profissionais que ali atuam, independentemente de eclodir ou não a violência física.

Em suma, a pessoa que sofre a violência domestica que deixa marca emocional e traumas que precisam ser superados, deve denunciar aos órgãos competentes e buscar ajuda de profissionais capacitados.

Daniele Guedes é Assistente Social do Centro de Referencia e Atendimento à Mulher no Amapá que funciona na Rua São José esquina da FAB em Macapá.
Email: danieleguedes.ap@gmail.com

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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