Uma história real e as conseqüências da Violência Doméstica e Familiar

Trata-se de reflexão sobre a violência doméstica, com especial enfoque na violência psicológica.

Esta se desenvolve como um processo silencioso, que progride sem ser identificado, deixando marcas em todos os envolvidos. Pela sua característica, a violência psicológica no interior da família, geralmente, evolui e eclode na forma da violência física. Com base neste entendimento destaca-se a importância de identificar as violências sutis que ainda se encontram em estágio embrionário. No entanto, aponta-se como um grande problema a dificuldade na identificação da violência psicológica doméstica, em razão de esta aparecer diluída em atitudes aparentemente não relacionadas ao conceito de violência.

Conforme a lei Maria da penha 11.340 de 07 de agosto de 2006 Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção

Assistente Social Daniele Ramos Guedes- Docente na faculdade IMMES. Email danieleguedes.ap@gmail.com. Telefone 9149-9599, 8131-3671.
Assistente Social Daniele Ramos Guedes- Docente na faculdade IMMES. Email danieleguedes.ap@gmail.com.

Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

A violência domestica se divide em várias formas conforme o artigo 7º da lei Maria da penha e uma delas é a violência Psicológica entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

Irei relatar uma historia real e dizer as conseqüências que essa violência traz a uma mulher e que afeta toda uma família.

A historia é de uma usuária pelo nome fictício “Joaquina“.

O Relato- “Sofro violência Domestica por parte do meu companheiro que é agressivo e bebe quase todos os dias. O mesmo não tem compromisso no trabalho, chega atrasado e muitas ausências no serviço. As brigas são diárias, sempre na presença dos nossos filhos. Os anos passaram e quase nada mudou, o ciclo da violência sempre permanece (tensões, agressões e lua de mel) as brigas ficaram constantes, porem, nunca tomei nenhuma decisão de denunciar, sempre pensando que um dia ele iria mudar, parar de beber e de me agredir na frente dos nossos filhos.sendo que as agressões só aconteciam quando estava alcoolizado.

Mas, o que fez para que eu tomasse uma atitude e a procurasse ajuda foi o comportamento inesperado do meu filho mais novo. Quando era criança e presenciava as brigas sempre ficava chorando em um canto da casa ou se trancava no quarto. Com o passar dos anos o menino na adolescência começou a ter um comportamento diferenciado, agressivo com o pai, até querendo mata-lo na ultima briga que tivemos. Começou a dormir tarde e acordar tarde, olhares penetrantes e desânimo para estudo. Procurei ajuda com psicólogos que me encaminharam para o psiquiatra e meu filho começou a tomar remédios controlados.

Na infância suportou as brigas em silêncio, viu e ouviu os insultos do pai, na adolescência fez ao contrario, quando brigamos ele parte pra cima do pai, xinga e até mesmo pegou algum instrumento cortante para intimidar o pai querendo me proteger, ”Desabafa”

Historias como esta, provoca traumas na vida de uma mulher e afeta principalmente os filhos, e se não houver ajuda profissional e familiar é muito difícil conseguir lidar com a situação. No caso da senhora Joaquina, só procurou ajuda quando percebeu que seu filho havia adquirido o Transtorno Mental e agora ira passar um longo processo de medicação com psiquiatra e psicólogo.

As formas de violência psicológica doméstica nem sempre são identificáveis pela vítima. Elas podem aparecer diluídas, ou seja, não serem reconhecidas como tal por estarem associadas a fenômenos emocionais freqüentemente agravados por fatores tais como: o álcool, a perda do emprego, problemas com os filhos, sofrimento ou morte de familiares e outras situações de crise. É importante destacar que a violência psicológica não afeta somente a vítima de forma direta. Ela atinge a todos que presenciam ou convivem com a situação de violência. Por exemplo, os filhos que testemunham a violência psicológica entre os pais podem passar a reproduzi-la por identificação ou mimetismo, passando a agir de forma semelhante com a irmã, colegas de escola e, futuramente, com a namorada e esposa/companheira.

De modo geral, as conseqüências da violência doméstica em crianças, segundo Miller (2002), são: ansiedade, que pode desencadear sintomas físicos, como dores de cabeça, úlceras, erupções cutâneas ou ainda problemas de audição e fala; dificuldades de aprendizagem; preocupação excessiva; dificuldades de concentração; medo de acidentes; sentimento de culpa por não ter como cessar a violência e por sentir afeto (amor e ódio) pelo agressor; medo de separar-se da mãe para ir à escola ou a outras atividades cotidianas; baixa auto-estima; depressão e suicídio; comportamentos delinqüentes (fuga de casa, uso de drogas, álcool etc.); problemas psiquiátricos. É importante enfatizar que a violência psicológica causa, por si só, graves problemas de natureza emocional e física. Independentemente de sua relação com a violência física, a violência psicológica deve ser identificada, em especial pelos profissionais que atuam nos serviços públicos, sejam estes de saúde, segurança ou educação.Como já dito anteriormente, isso significa que a violência psicológica deve ser enfrentada como um problema de saúde pública pelos profissionais que ali atuam, independentemente de eclodir ou não a violência física.

Em suma, a pessoa que sofre a violência domestica que deixa marca emocional e traumas que precisam ser superados, deve denunciar aos órgãos competentes e buscar ajuda de profissionais capacitados.

Daniele Guedes é Assistente Social do Centro de Referencia e Atendimento à Mulher no Amapá que funciona na Rua São José esquina da FAB em Macapá.
Email: danieleguedes.ap@gmail.com

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