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Embrapa Amapá pesquisa resíduos de castanha-do-brasil para produção de carvão

A Embrapa Amapá, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), está desenvolvendo uma pesquisa para o aproveitamento dos ouriços de castanha-do-brasil na produção de carvão. O projeto foi iniciado em maio deste ano tem prazo de dois anos para ser concluído. Neste período serão testadas tecnologias de carbonização adequadas à realidade dosagroextrativistas do interior do estado e instalados experimentos para avaliar o potencial do carvão de ouriços tanto para uso energético quanto para melhorar a fertilidade do solo.

O coordenador do projeto, pesquisador Paulo Paiva, explica que o ouriço de castanha é um material com alto teor de lignina e baixo teor de cinzas. Madeiras com estas características resultam em carvões com alto poder calorífico e que emitem pouca fumaça. Além disso, o carvão de ouriço é produzido a partir de um resíduo florestal, o que evita o corte de árvores. “Pretendemos avaliar o rendimento da carbonização dos ouriços de castanha, a qualidade do carvão e seu potencial de agregar renda à atividade extrativista”, acrescenta Paiva.

Outra parte da pesquisa vai avaliar o uso do carvão de ouriços para melhorar os solos. Segundo o pesquisador, o potencial do carvão em melhorar o solo já é bem conhecido pelos agricultores e donas de casa que misturam o carvão em seus canteiros. A mesma coisa pode ser feita com o carvão de ouriços. Após separar os pedaços que podem ser comercializados, as frações menores, como o farelo, o pó e as cinzas, ainda podem ser usadas para melhorar o solo. “Queremos avaliar o potencial deste material como melhorador do solo de canteiros e áreas agrícolas, seja aplicando diretamente ou misturado com fertilizantes ou composto orgânico”, explica o pesquisador.

Ele acrescenta que o uso do carvão no solo é inspirado no conhecimento sobre as terras pretas de índio, que são solos muito férteis que resultaram de antigos assentamentos indígenas. Paulo Paiva ressalta que “ainda não sabemos como os índios criaram um dos solos mais férteis do mundo em regiões originalmente com os solos mais pobres em nutrientes.O que sabemos é que o carvão está presente em grande quantidade, com um papel ativo na retenção nutriente e no sequestro de carbono no solo por séculos”.

Na próxima quarta-feira, 18, o pesquisador fará uma apresentação do projeto ao público interessado, a partir das 15 horas, no auditório da Embrapa Amapá. Na ocasião também será feita a apresentação do programa de pesquisas sobre a Terra Preta de Índio, que é uma parceria internacional da Embrapa com a Universidade de Wageningen (Holanda), o Instituto de Investigación Florestal da Bolívia, e a Universidade Nacional da Colômbia. A apresentação será feita pelo coordenador do programa, Thom Kuyper.

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