Mundo

Robô Curiosidade envia primeira imagem a cores de Marte

A imagem em tons alaranjados, captada por uma das 17 câmaras que integram o robot, revela uma paisagem rochosa e, a uma distância considerável, uma encosta da cratera Gale, local onde a “Curiosity” aterrou.

A fotografia foi captada pela “Mars Hand Lens Imager” (MAHLI), uma câmara de alta resolução, cujo principal objectivo é captar imagens de alta definição das rochas e do solo marciano.

A imagem não é muito nítida porque a protecção removível da câmara ficou revestida com poeiras durante a aterragem.

O robot “Curiosity” aterrou com sucesso no planeta Marte passava pouco das 06:31 de segunda-feira, hora de Lisboa.

O “Curiosity” deverá levar a cabo uma missão de dois anos em Marte. Alimentada por um gerador nuclear, a estrutura tentará descobrir se o ambiente marciano foi propício ao desenvolvimento da vida microbiana.

Para tal, o robot possui numerosas ferramentas, entre as quais um mastro com câmaras de alta definição e um laser para estudar alvos até sete metros.

O robot poderá também furar o solo para fazer recolha de amostras.

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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