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Comunidade do Curiaú festeja o padroeiro São Joaquim

Foto: Grabriel Penha – Aos 92 anos, dona Francisca Ramos dos Santos, a “Dona Chiquinha”, é devota de São Joaquim, na comunidade quilombola do Curiaú

Começou na tarde desta quinta-feira, 9, na comunidade quilombola do Curiaú, a festividade em louvor a São Joaquim. Uma das mais tradicionais festas do lugar, este ano a manifestação cultural recebe apoio financeiro do governo do Estado na ordem de R$ 12 mil, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), e ainda há a presença de outras secretarias no evento: de Afrodescendentes (Seafro); Indústria, Comércio e Mineração (Seicom) e Turismo (Setur).

A abertura foi marcada por um almoço na maloca de dona Francisca Ramos dos Santos, de 92 anos, conhecida na região como “Dona Chiquinha”. O filho dela, Adelson Socorro Ramos dos Santos, 47 anos, diz que está emocionado por mais um ano da comemoração e ressalta que o apoio do Estado é fundamental para que a tradição não acabe. “O governo estadual atendeu nosso pedido e São Joaquim é celebrado mais um ano. Sinto-me feliz por fazer parte desse momento”, emociona-se Adelson.
Dona Raimunda Leite da Paixão, 68 anos, exibe orgulhosa imagem do padroeiro São Joaquim, na comunidade quilombola do Curiaú
Uma das organizadoras da festa é dona Raimunda Leite da Paixão, de 68 anos. Ela é madrinha da bandeira, herança deixada pela avó. “Nesse período, só posso dizer que tenho uma missão a cumprir”, orgulha-se.

“O governo do Estado cumpre seu papel de apoiar e fomentar as festas tradicionais. E cumprir esse papel de maneira satisfatória tem sido preocupação constante do governador Camilo Capiberibe. Grande exemplo é a Festa de São Tiago, realizada em Mazagão Velho, mês passado, que foi aprovada tanto pela comunidade quanto pelos visitantes”, informa a secretária da Seafro, Neucirene Almeida de Oliveira.

Até o próximo dia 18, São Joaquim será exaltado com ladainha, folias e muito batuque, além da peregrinação da imagem pela vila e bailes dançantes. A primeira ladainha e batuque acontecem nesta primeira noite dos festejos.

Gabriel Penha/Seafro

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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