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Peixe: o golpe do sangue novo em guelra velha

Paulo Ronaldo Almeida

Para saber se o peixe é fresco basta dar uma olhada na guelra. Se ela estiver vermelhinha, ele está ótimo para consumo, certo? Errado. Nas principais feiras de Macapá a prática de colocar sangue de porco para enganar o consumidor é algo muito comum, além de ser um atentado à saúde pública.

Antônio Silva, de 56 anos, trabalha desde criança pescando e é enfático ao afirmar: “o peixe que chega às feiras está congelado há pelo menos seis dias. Logo, é impossível a guelra ficar com aquela coloração como se o peixe tivesse sido fisgado há poucas horas”, revela Silva.

Na Feira do Perpétuo Socorro ninguém comenta sobre o assunto, mas o litro do sangue do porco custa R$ 5. Um vendedor de peixe, que pediu para não ser identificado, informou que os feirantes começam a passar sangue na guelra a partir das 4h da manhã, antes da chegada dos clientes. “Não todos, mas a maioria faz isso. Uma lata com sangue e pincel fica bem escondidinha”, comenta o vendedor.

O detalhe é que essa prática pode levar o consumidor a contrair toxoplasmose e teníase, doenças transmitidas pelo porco.

Mas afinal, como saber se o peixe está bom para o consumo ou não?

O primeiro passo é desconfiar sempre que ver um peixe congelado com a guelra quase que escorrendo sangue ou com o sangue coagulado. Depois seguir algumas dicas como verificar se as escamas estão bem presas ao corpo, a carne também deve ser firme ao ser pressionada, não mole, os olhos devem ter um aspecto brilhante, as pupilas devem ser pretas e as córneas, transparentes.

Paulo Ronaldo de Almeida

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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