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Santana: um exemplo em educação da Amazônia para o Brasil

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgados nesta semana pelo Ministério da Educação (MEC), apontam que um município se destacou na melhoria da qualidade do ensino no Estado do Amapá. Este município é Santana, que em 2005 tinha nota 3,1 nos anos iniciais do ensino fundamental e passou para 4,8 em 2011. Ressalte-se que este não é um crescimento extemporâneo, mas resultado de uma contínua e consistente melhoria educacional do município.

Para se ter uma ideia da dimensão dessa conquista vamos nos servir de algumas comparações: Santana, um município do interior da Amazônia, financeiramente dependente dos repasses constitucionais, obteve o mesmo desempenho que por exemplo a cidade de São Paulo, a maior potencia econômica e fiscal do país, o terceiro maior PIB brasileiro. Teve uma nota superior, por exemplo, que Niterói a cidade brasileira com a maior renda per capita domiciliar. Em termos regionais quando comparado a Macapá, que permaneceu com o índice do IDEB estabilizado em 4,0 e abaixo da meta nas duas medições anteriores, Santana avançou quase um ponto e isto considerada a maior capacidade econômica e fiscal da capital amapaense.

Mas não é apenas em termos materiais que o destaque do desempenho de Santana merece ser considerado, o município obteve índices iguais e melhores a cidades que tem politicas públicas de educação nacional e internacionalmente reconhecidas como competentes, tais como Rio Branco e Porto Alegre. A escola Padre Fúlvio Giulliano atingiu a média das escolas de países desenvolvidos.

O sucesso da educação pública do Município de Santana fica plenamente cristalino em alguns números que a divulgação do IDEB 2011 revela:

- Em 2011 Santana atingiu a meta prevista para 2017 para as séries iniciais do Ensino Fundamental e quase atingiu a meta de 2013 para as séries finais.

- A evolução do IDEB de Santana demonstra a solidez e a sustentabilidade da nossa política educacional. Note-se o crescimento contínuo: nas séries iniciais, em 2005, nosso índice era de 3,1 e em 2007 foi para 3,8; em 2009 foi para 3,9 e em 2011 saltamos quase um ponto e fomos para 4,8; nas séries finais tivemos desempenho semelhante: em 2005 tínhamos o índice de 3,1 e em 2007 variamos para 3,2; em 2009 e 2011 melhoramos significativamente pulando para 3,7 e 3,9 respectivamente.

- Em termos comparativos nosso desempenho também foi animador. A nota do Estado do Amapá foi de 4.1 e a meta era alcançar 4.6; já em Santana a meta a ser atingida em 2011 era de 3.9 e a nota foi 4.8. Atingimos, assim, a meta de 2017, aproximando-nos da média brasileira que é de 5.0.

- No que tange as notas por educandários, a melhor escola pública de todo o Amapá, é a escola municipal de Santana, Padre Fúlvio Giulliano, que alcançou a nota 5.7, sendo que a meta estabelecida pelo MEC para aquele educandário era de 3.7. A meta para 2021, que é de 5.2, já foi ultrapassada. Das oito escolas municipais de Santana, dentre as 12 primeiras do Estado, a última teve nota 4.9, portanto, não se trata de uma melhora pontual, mas de uma política coletiva.

- A nota do Município de Santana (4.8) é a mesma de Capitais como: Rio Branco – AC, Cuiabá – MT e São Paulo – SP e maior do que o IDEB de 13 capitais Brasileiras. Todas as nossas escolas municipais evoluíram e alcançaram as metas previstas nas séries iniciais.

- Das 12 melhores escolas públicas (estaduais e municipais) de todo o Amapá, oito são escolas municipais de Santana e as outras quatro escolas são Estaduais. Das 11 melhores escolas municipais de todo o Amapá, nove são de Santana. As oito primeiras são todas de Santana!

Esse crescimento é resultado de um forte trabalho em todas as facetas do processo educacional que podem ser aferidas em ações muito precisas, tais como: a qualidade da merenda escolar, à atenção ao transporte dos nossos alunos ribeirinhos e o passe livre aos estudantes urbanos, fornecimento de uniforme gratuito, investimentos na qualificação e formação continuada dos nossos professores, assim como na melhoria da sua remuneração, com Plano de Cargo e Carreira do profissional do magistério. Em Santana, desde 2010 a Prefeitura vem cumprindo de comum acordo com a entidade sindical, o Piso salarial dos Professores, sem prejuízo das conquistas do plano salarial.

Esses resultados extraordinários, primeiros dentre as notas não somente do Estado do Amapá, mas também vencedores de grandes capitais brasileiras que tem renda per capita muito superior a do Município de Santana demonstram que educação de qualidade se faz, não somente com recursos em abundância, mas com a correta aplicação do pouco que se tem, com transparência e foco no que é essencial para a conquista da tão propalada, mas nem sempre buscada da “educação como transformadora da sociedade”.

Para melhorar ainda mais a nota no IDEB precisamos melhorar muito a nossa rede física e continuar a valorizar o nosso profissional trazendo-o para discutir junto com o governo a forma de financiamento do ensino básico. O ensino fundamental carece de reconhecimento. Há ótimos professores, que precisam de um maior reconhecimento, que pode ser oferecido por apoio, não apenas material e financeiro, mas político. O financiamento da educação básica precisa ser discutido não apenas no nosso município, mas em todo o País. É preciso entender o custo necessário para ter qualidade.

Mesmo com investimento do governo municipal, incluindo o fortalecimento em infraestrutura, houve dificuldades e o resultado de Santana também deve ser creditado ao empenho dos gestores escolares e demais profissionais da educação. Por enquanto, vale a festa pelo resultado, mas temos que manter e aprimorar o trabalho e as ações que nos levaram a atingir este resultado imensamente animador.

O objetivo deste artigo não é de mera celebração, mas fundamentalmente de comunicação, de informação. A educação é um investimento de longo prazo e os projetos geram impactos cumulativos, e não imediatos. Mas, se não contarmos à população em que estágio se está no enfrentamento dos problemas, se estabelece a sensação de que nada está sendo feito. A transformação demanda persistência estratégica e a população é capaz de entender isso e, modéstia a parte, o aumento nas notas do IDEB é um reflexo da crescente melhora nas condições de ensino da rede municipal e da preocupação que a atual gestão tem para com a educação das nossas crianças.

Dentre os fatores que contribuíram para este sucesso, um em especial merece destacada menção: todo investimento material e organizativo seriam absolutamente nulos sem a dedicação, o empenho e o compromisso perene e cotidiano dos profissionais da educação (professores, técnicos, merendeiras, vigilantes etc.) com a melhoria da educação no nosso município.

Contudo pessoalmente o que me dá a sensação de realização e orgulho é, na condição de professor, coroar minha gestão, que em tudo o mais foi melhor que as que me antecederam, com a educação do nosso município sendo avaliada como uma das melhores do Brasil e a melhor de todo o Amapá.

José ANTONIO NOGUEIRA de Sousa, Professor, exerce o 2º Mandato de Prefeito da Cidade de Santana/AP, pelo PT.

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Discussão

Um comentário sobre “Santana: um exemplo em educação da Amazônia para o Brasil

  1. Porque o MEC não aprende com este prefeito do próprio PT?
    Por que o ministro deixou de ser professor.
    O governo Dilma, está mal assessorado no trato das questões da educação. É por isso que está formada a maior frente de articulação política já vista no país, em defesa desta commodite social chamada educação.
    Veja que diariamente são apresentados na imprensa depoimentos de jornalistas, de operários e trabalhadores de inúmeros segmentos, do povo, preocupado com o futuro de seus filhos e de outras categorias do funcionalismo público, mas também de empresários preocupados com a insuficiência da mão de obra de que dispõem no mercado, insuficiência quantitativa e também qualitativa.
    Contra a requalificação funcional da educação somente alguns maus conselheiros do governo locados no MPOG e áulicos do ME e agora o ex-presidente FHC, de triste memória, porque manteve os trabalhadores brasileiros em pleno arrocho salarial, durante seus 8 anos de governo, incluindo aí as categorias que hoje estão fazendo o país tirar o pé da lama como os petroleiros.
    Deveria demonstrar eterno arrependimento, mas prefere repassar a caveira de burro ao governo Dilma, entabulando solidariedade nessas teses do cavalo de tróia, que será tratar o salário do funcionalismo como instrumento de política econômica do governo.

    Publicado por Stelio Araujo | 08/17/2012, 19:49

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