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Brasil tem 104 milhões de pessoas na classe média, revela estudo

Na última década, 35 milhões de pessoas passaram a integrar a classe média

Foto: G1

O estudo ‘Vozes da Classe Média’, divulgado nesta quinta-feira pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), revela que o Brasil tem 104 milhões de pessoas na classe média, ou seja, 53% da população. Na última década, 35 milhões de pessoas passaram a integrar a classe média no país. Outro dado importante é que quase 80% dos novos integrantes da classe média são negros.

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, disse que a pesquisa é uma forma de o governo e a sociedade conhecerem a classe média do país. “Temos 35 milhões de pessoas entrando para a classe média. A pobreza no país caiu de 27% para menos de 15% em 2012. A extrema pobreza, que é um dos desafios do governo, passou de 10% da população para menos de 5% da população. Em torno de 18 milhões de empregos foram criados neste período”, disse.

Segundo o estudo, a classe com renda familiar per capta que varia entre R$ 291 e R$ 1.019 acessa mais os serviços particulares, como escolas e planos de saúde. Na classe baixa, 5% possuem convênios médicos, na classe média esse percentual chega a 24%.

Os dados também mostram que a renda de 40% da classe média vem do trabalho, sendo que 50% trabalham mais de 40 horas semanais.

Quando o assunto é economizar, a classe média poupa mais que a classe baixa (32% contra 24%) e menos que a classe alta, que poupa em media 51%.

Com relação aos estudos, a SAE aponta que 14% dos jovens da classe média estão em escolas particulares. Já nas universidades, eles representam apenas 7% dos alunos.

O estudo usou dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD), da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), ambas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Data Popular.

Jornal do Brasil

Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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