Primeira Orquestra Quilombola do Brasil será lançada nesta quinta-feira no Amapá

A 12 quilômetros de Macapá, capital do Amapá, fica localizado o Curiaú, região remanescente de quilombo, primeira do Brasil a ser registrada e titulada pela Fundação Palmares, contabilizando pouco mais de 1,6 mil moradores. É desse vilarejo, cuja cultura musical tem como base os sons das caixas de batuque e do marabaixo, que sairá a primeira Orquestra Quilombola do Brasil, composta por 45 crianças e jovens de origem humilde, que descobriram os instrumentos eruditos como ferramentas de inclusão social, sem esquecerem suas raízes.

O lançamento será nesta quinta-feira, 25, às 17h30, na Escola Estadual José Bonifácio, no distrito do Curiaú, com participação da banda do Corpo de Bombeiros, uma pequena demonstração pedagógica da Orquestra Quilombola, apresentação de ladainha, marabaixo e coquetel.

A Orquestra Quilombola do Curiaú é o primeiro polo musical, dos 10 a serem implementados dentro do projeto “Sistema de Bandas e Orquestras do Estado do Amapá – Escola Livre de Música”, da Associação Educacional e Cultural Essência (Aece), com investimento da empresa de telefonia OI, por meio do “Projeto OI Futuro” e apoio do Governo do Amapá, por meio das Secretarias de Estado da Cultura (Secult) e da Inclusão e Mobilização Social (SIMS).

No Curiaú, 45 crianças fazem parte da orquestra, mas ao todo, 100 estão inseridas no projeto, que prevê iniciação musical com instrumentos de sopro, madeira, de corda e percussão erudita. O projeto está em andamento também nos bairros Marabaixo e Jardim Felicidade I, e na Escola Estadual José de Anchieta, porém, somente com a parte de musicalização, envolvendo 300 crianças e jovens estudantes do 1º ao 8º ano do ensino fundamental.

“A música é uma ferramenta que mexe com o emocional, autoestima e molda o comportamento daqueles que a usam de forma adequada. Com isso, a Associação Educacional e Cultural Essência, por meio de pesquisas e realização de eventos musicais educacionais, percebeu uma lacuna na área educacional da música, pois a musicalidade do quilombo do Curiaú é imensurável, mas há a necessidade de sistematizar o conhecimento de forma pedagógica”, explica o maestro Elias Sampaio, um dos coordenadores do projeto.

A presidente da Aece, Heloisa Batista, se emociona ao falar do projeto. “Nosso objetivo não é formar músicos, mas estimular a criatividade, a sensibilidade para a música, por isso a apresentação deles terá caráter pedagógico. Eles estão estudando e treinando há dois meses, mas já estão nos surpreendendo”.

No quilombo do Curiaú, a inserção e continuação deste projeto fazem-se necessários visto que é visível o saber, a essência e a forte cultura musical, que está intrinsecamente ligada, sendo que a cada dia torna-se ainda mais forte com o cotidiano que perfaz o batuque, o marabaixo e a ladainha, fortalecendo a música e a dança.

A música é uma ferramenta de inclusão social. Desta forma, é necessária uma ação voltada para estes menores, dando-lhes a oportunidade de serem inseridos no mercado de trabalho, e, principalmente, de serem reconhecidos pela sociedade de uma forma positiva, como cidadãos.

Neste ano, tempo limite para as escolas públicas e privadas inserirem o ensino da música em suas grades curriculares, tanto como disciplina como dentro de outra, exigência surgida com a Lei nº 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008, que determina que a música seja conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica, o projeto Sistema de Bandas e Orquestras do Amapá vem para incentivar esta configuração, dando o primeiro passo.

Desta forma, o projeto propõe o ensino da música como ferramenta de inclusão social, disponibilizando o acesso à educação e a cultura para crianças e adolescentes do quilombo do Curiaú e de outras comunidades, visto que a própria escola local atende crianças e adolescentes de comunidades vizinhas.

O Sistema de Bandas e Orquestras do Estado do Amapá – Escola Livre de Música busca, por meio da ferramenta música, cumprir papel de inclusão social de crianças e adolescentes, difundindo a cultura no Estado. Tomando como modelo o projeto venezuelano “El Sistema”, que já atua há mais de 35 anos e foi premiado pela Unesco como maior projeto de inclusão social, por intermédio da música na atualidade.

O sistema se preocupa com o horário ocioso em que crianças, jovens e adolescentes possuem, além dos ensinos fundamental e médio, visto que, não possuem outras atividades sociais. Neste período, crianças e adolescentes em risco social necessitam de uma atividade que os convençam a participar, e a música está no inconsciente coletivo, facilitando assim a ação deste projeto.

O Sistema Estadual de Bandas e Orquestras do Amapá e a Escola de Música da Associação Educacional e Cultural Essência (Aece) terá como coordenador-técnico e diretor artístico o Maestro Elias Sampaio, que é músico, arranjador, educador musical e idealizador do Festival de Música do Estado do Amapá.

Rita Torrinha/Secult

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