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Simpósio da Amazônia debate transporte e energia sustentáveis

Brasília, 6/11/2012 – A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional realizou, nesta terça, 06, o 6º Simpósio da Amazônia “Desenvolvimento Regional Sustentável” por requerimento da deputada Janete Capiberibe e do deputado Wilson Filho.

A deputada Janete coordenou a mesa que debateu “Desenvolvimento com Sustentabilidade: Energia e Transporte”. A socialista se disse otimista, ressalvando que as políticas públicas e percepções da Amazônia precisam sempre incluir as populações e culturas tradicionais locais. Ela acredita que ainda é possível alterar o modelo de desenvolvimento para um que esteja adequado à Amazônia e que se dê com a floresta em pé.

Energia Limpa – Os expositores do Ministério do Meio Ambiente mostraram-se satisfeitos com os resultados conseguidos na Amazônia, especialmente no que se refere à redução do desmatamento e às políticas públicas para implantação de infraestrutura, como a construção de hidrelétricas, hidrovias, rodovias e portos com menor impacto social e ambiental.

Já o diretor de políticas públicas do Greenpeace Sérgio Leitão afirmou que “pelo governo federal, parece que nós vivemos em um país banhado pelo óleo diesel. O Governo Federal esquece que vivemos num país tropical, com imenso em potencial de energia limpa”, referindo-se às gerações eólica e solar, ainda pouco presentes como fonte de energia no Brasil. “O país tem alternativas. O país não precisa de hidrelétricas”, arrematou. Segundo Leitão, não há qualquer base que justifique a construção de hidrelétricas na Amazônia, e considerou que o poder público brasileiro tem dificuldade de dialogar com as populações mais empobrecidas.

Mesmo assim, o Brasil figura entre os países com grande percentual de energia limpa: 44,1% de toda a energia usada no país e 88,8% da eletricidade, enquanto a média mundial é de 25% e 20%, respectivamente. Os dados reafirmados pelos palestrantes foram apresentados pela deputada Janete, para quem “é preciso ressalvar os impactos sociais e ambientais das hidrelétricas para classificá-las como geradoras de energia limpa”.

Pedindo licença à deputada Janete Capiberibe, Ricardo Padilha, do Ministério do Meio Ambiente, sugeriu que sejam instaladas placas geradoras de energia solar nas coberturas do Congresso Nacional e um sistema de captação e uso de água da chuva.

Hidrovias – O coordenador do Projeto de Transporte Hidroviário e Construção Naval na Amazônia (THECNA), Waltair Vieira Machado, afirmou que apenas 0,29% do volume de cargas na Amazônia é transportado por via fluvial e 60% por via marítima. Segundo ele, o transporte hidroviário custa 1/10 do que custa o rodoviário. Apontou, ainda, gargalos na construção naval, como a técnica precária para montagem de blocos e a tubulação. Disse ainda que 80% dos mais de 442 mil usuários do transporte hidroviário de passageiros na Amazônia, a maioria na faixa até 3 salários mínimos, reclamam do serviço, especialmente nos aspectos de segurança, higiene e conforto. A Bacia Amazônica tem mais de 23 mil quilômetros de rios navegáveis. Menos de um terço está sendo usado. A frota naval de cargas e passageiros na Amazônia tem idade média ponderada de 14 anos, chegando a média de 18 anos em algumas classes (ANTAQ, fevereiro de 2011).

Crédito – A deputada Janete cobrou do Governo Federal a criação da linha de crédito para os estaleiros tradicionais da Amazônia, com recursos do Fundo da Marinha Mercantes, subsídio de até 50%, 6 anos de carência e 20 para pagar. “Motores velhos e inadequados que provocam acidentes com escalpelamentos nas embarcações seriam dados como entrada e tirados de operação”, explicou a deputada. “Podemos, sim, fazer embarcações de madeira na Amazônia com qualidade e alto valor agregado", incentivou Waltair Machado.

Sizan Luiz Esberci

Legenda:

Debate:Práticas sustentáveis ainda precisam ser reforçadas na Amazônia

Foto: André Abrahão

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Sobre Chico Terra

A la Glauber Rocha, o genial visionário do Cinema Novo que tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, Chico Terra tinha há 14 anos um velho computador, uma câmera fotográfica e uma inquietação invulgar, que o ofício de músico não dava conta de sossegar. Chico, é preciso esclarecer, é observador de esquina, desses que repara imagens, muitas imagens, em fração de segundos. Tornou, por isso, o passatempo de fotógrafo – cultivado em Minas Gerais desde os anos 1970, quando ainda era operário da Fiat – em profissão. Pois não é que o Chico operário-fotógrafo-músico, decidiu virar, desculpem o palavrão, webdesigner. Desenhou e pôs no ar, em 11 de novembro de 2000, o Amapá Busca. Desde então, eremita na mesmíssima casa onde nasceu e à qual voltou após a longa temporada mineira, Chico divide atenção entre sobreviver sem o conforto de bens materiais e prestar inestimável serviço à cultura do Amapá. Pelo sítio de Chico, já passaram seguramente todos os músicos amapaenses – a quem dedica admirável amizade e intransigente defesa. Já passaram, também, por conta dessa fidelidade, manifestações indignadas contra gente que, vendo artista com vassalo, insiste em relegar a democratização da cultura ao segundo plano ou a reservar o primeiro plano a uns poucos protegidos. Amapaense da gema, Chico cria e encampa teses, reclama e elogia, exibe rico acervo fotográfico e dá voz, não raro sendo ele mesmo porta-voz, à divergência. Já deve ter sido confundido com ativista político submisso a alguma legenda, coisa que efetivamente nunca foi. Na verdade, Chico tem lado, não sabe ficar em cima do muro e opina muito, agradando a gregos e chateando a troianos. Num cantinho da casa que o seu Antonio Almeida construiu nos anos 1930, ao lado de uma janela que joga a luz da manhã no recinto, está o computador velho de guerra do múltiplo Chico. É ali que, quase sempre alta madrugada, em missão solitária, o operário-fotógrafo-músico-repórter senta para escrever, feliz, páginas de seu tempo. Vida longa, pois, Chico Terra! (Euclides Farias)

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