Protaf muda rotina de agricultores de Curralinho e ajuda aumentar produção de farinha

A perspectiva da Associação dos Moradores Remanescente de Quilombo de Curralinho é que a safra de 2011/2012 resulte na produção de 240 toneladas de farinha, 16% a mais em relação a safra anterior, que chegou em torno de aproximadamente 200 toneladas.

O aumento só foi possível depois que o governador Camilo Capiberibe criou o Programa de Agricultura Familiar e Floresta (Protaf), mudando a rotina e a vida dos agricultores. Ao invés do terçado e enxada, entrou em ação tratores e técnicos que fizeram a orientação de como plantar colher.

O resultado deste investimento já é visível na vila onde moram cerca de 60 famílias. As casas, que antes eram de madeira, aos poucos estão sendo substituídas por alvenaria, além da possibilidade da compra de outros bens de consumo como máquina de lavar e televisão de LCD.

Mudança de vida

A presidente da associação, Joaquina Santos, disse que essa mudança de padrão social está diretamente ligado as orientações e recursos que os agricultores vêm recebendo. Só no ano passado, por exemplo, o governo estadual investiu, por meio do Protaf, R$ 126,475 mil para o cultivo e plantio de 37 hectares.

"Antes, o agricultor tinha que fazer a derrubada da roça, limpar e plantar. Um processo braçal, que acaba desmatando, já que a cada ano tínhamos que mudar a área do plantio. A dificuldade era tanta, que muitas famílias pararam de plantar e foram viver de outras atividades, mas hoje, com o apoio do governo do Estado, elas voltaram para o campo e juntos estamos construindo uma nova história", comentou Joaquina, que no momento da entrevista recebia uma equipe da Caixa Econômica Federal que tem um projeto voltado para a construção da casa própria para a área quilombola.

Investimento

Só para se ter uma ideia da importância do investimento do governo do Estado, por meio do Protaf, em 2011, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de mandioca foi de quase 140 mil toneladas de raiz obtida em mais de 10,5 mil hectares. Em 2000, a produção foi de 48 mil toneladas em 5 mil hectares, isso significa que em quase dez anos a produção de raiz e a área colhida de mandioca dobraram.

"Temos em nosso Estado experimentos onde a área cultivada foi mecanizada, realizou-se a correção do solo, adubação, aplicação de herbicida e utilizou-se o método de propagação rápida, que é diferente do plantio tradicional, em vez de se cultivar a maniva-semente, plantam-se as mudas. A experiência mostrou que é possível alcançar uma produtividade entre 25 a 40 toneladas por hectare. A produtividade média dos diversos municípios do Estado varia entre 10 e 12 toneladas por hectare", explicou o técnico do IBGE, Raul Tabajara, um dos responsáveis pela pesquisa.

A pavimentação

Paralelamente aos investimentos do Protaf, o governador Camilo Capiberibe determinou a pavimentação dos 2,4 quilômetros que separam a comunidade quilombola da BR-156. O trabalho já está em 95% concluído, restando apenas a pintura da pista. "Esse é o sonho antigo e que hoje se tornou realidade. Antes, no inverno, os carros ficavam atolados. Agora, a qualquer hora do dia e da noite podemos sair. O socorro chega mais rápido, realmente o asfalto teve um significado imenso para todos nós", declarou Davina Santos dos Santos.

Industrialização

Mas, o olhar do poder público não parou no Protaf ou na pavimentação. A comunidade de Curralinho está incluída no Pro-Agroindústria, que vai construir e reformar as casas de farinha e outros empreendimentos de beneficiamento de produtos regionais. O programa completa o Protaf e vai instalar uma casa de farinha com dois fornos, um mecanizado e outro manual, com todos os instrumentos necessários para a fabricação. O investimento do Estado é de R$ 48.804,71. Atualmente, eles dividem a produção de tucupi, tapioca e farinha nos três fornos antigos. A previsão de inauguração da casa de farinha é até março de 2013.

O Protaf no Amapá

O programa atende atualmente 1.073 pequenos agricultores em 12 municípios, com investimento do Estado de R$ 5,5 milhões. Para o próximo ano a meta é alcançar 2.230 homens do campo, nos 16 municípios, com investimento de R$ 11 milhões.

Agricultura forte

Além do Protaf, o Governo do Amapá, em parceria com o governo federal, em 2011, beneficiou 335 entidades sociais dos 16 municípios, que beneficiam 40 mil pessoas, comprando alimentos de 453 agricultores familiares por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com valor de R$ 1,6 milhão, sendo 340 mil de contrapartida do Estado. Além disso, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) está emitindo a Nota Fiscal do Produtor Rural em todos os municípios do Estado e o governador Camilo Capiberibe isentou de impostos todos os produtos da agricultura familiar que são comercializados no PAA.

O futuro

"Estamos investindo na agricultura, dando ao pequeno produtor oportunidades para ele se manter no campo, com uma vida digna e com oportunidades para todos. Mas, para que isso ocorra, além de programas como o Protaf, PAA e Pro-Agroindústria, estamos pavimentando as rodovias e recuperando ramais para que a produção agrícola possa escoar. Estamos plantando e colhendo ao mesmo tempo", disse o governador Camilo Capiberibe ao fazer um balanço da agricultura do Amapá. (Paulo Ronaldo Almeida)

Paulo Ronaldo Almeida
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@Praalmeida

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