Descobertos fósseis que sugerem que camelos habitaram zonas frias do Círculo polar árctico

Um conjunto de investigadores descobriu fósseis de uma espécie pré-histórica nas zonas mais a Norte do Canadá. O achado sugere que os camelos descendem de uma espécie que habitou as zonas frias do Círculo polar árctico.

Reprodução Diário Digital
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A equipa liderada pela paleontóloga Natalia Rybczynski, do Museu da Natureza do Canadá, encontrou 30 fragmentos fossilizados de um osso de perna, na Ilha Ellesmere, em Nunavut, nos Verões de 2006, 2008 e 2010.

Segundo o museu, os ossos têm aproximadamente 3,5 milhões de anos.

Rybczynski e os investigadores John Gosse (da Universidade de Dalhousie) e Mike Buckley (Universidade de Manchester) publicaram os resultados na edição de 5 de Março da revista científica Nature Communications.

Foi extraído colágeno dos ossos fossilizados e foi comparado com amostras de mamíferos actuais. A análise proteica confirmou que se tratava de uma espécie antepassada directa do camelo, disse Buckley à BBC na terça-feira.

Segundo Jennifer Viegas, da Discovery News, este foi o local mais a norte onde alguma vez se encontrou restos mortais de camelos.

Anteriormente, tinham sido encontrados fósseis a cerca de1200 kma sul do local da nova descoberta, de acordo com Nick Collins, correspondente do The Telegraph para a área científica.

Este camelo ancestral era um «parente» próximo de uma espécie chamada Paracamelus, e os ossos também sugerem que o animal era 30% maior que os camelos actuais, ou seja, media cerca de3,35 metros de altura.

Além disso, só tinham uma bossa, para armazenar gordura de forma a lidar com as baixas temperaturas da região. Note-se, no entanto, que a área não era tão fria na altura como é hoje.

Os investigadores acreditam que o animal tinham semelhanças na aparência com os camelos actuais, mas teriam um «manto» de pêlo mais espesso por causa do frio.

«Esta é uma descoberta muito importante porque providencia as primeiras provas que os camelos habitaram as zonas do Árctico», sublinhou Rybczynski num comunicado.

[A descoberta] leva ao redesenho da zona onde eles habitaram no Norte da [actual] América do Norte, sendo que estariam cerca de1206 kmmais a Norte do que se julgava», referiu.

O achado sugere ainda que os actuais camelos descendem de uma linhagem que estava adaptada para viver no ambiente das florestas do Árctico.

«Agora dispomos de registos em fóssil para entender melhor a evolução do camelo, já que a nossa investigação mostra que a linhagem do Paracamelus habitou a parte Norte da América do Norte, e a mais simples explicação para este padrão é que o Paracamelus foi originado naquele local», explicou.

«Portanto, talvez algumas especializações que vemos nos camelos actuais, como as patas lisas, os olhos grandes e as bossas, são adaptações derivadas de habitar um ambiente polar».

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