Cometa de Primavera pode ser visto a oeste após o pôr do Sol

Até ao final de Março, o Pan-STARRS vai aparecer acima do horizonte, durante o lusco-fusco. O cometa foi descoberto em 2011, já fez a aproximação máxima ao Sol. Ainda não há certezas sobre o seu futuro

O Pan-STARRS foi visto primeiro no Hemisfério Sul, em locais como a Austrália. A cauda mostra o material volátil a libertar-se do seu núcleo. Ricardo Reis (CAUP)/STELLARIUM
O Pan-STARRS foi visto primeiro no Hemisfério Sul, em locais como a Austrália. A cauda mostra o material volátil a libertar-se do seu núcleo. Ricardo Reis (CAUP)/STELLARIUM

Primeiro asteróides, agora cometas. O ano de 2013 ainda vai no terceiro mês, mas já nos obrigou a pensar nas potenciais ameaças que podem vir do céu, depois de um meteorito ter caído na Rússia em Fevereiro. Mas o cometa Pan-STARRS C/2011 L4 não é ameaça. É antes um espectáculo celestial raro que pode ser observado nos próximos dias a olho nu, logo após o pôr do Sol, em direcção a oeste, bem longe das luzes das cidades.

“Quem está em Portugal continental, terá de olhar em direcção a oeste”, diz o astrónomo Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa. “O cometa está muito baixo, próximo do horizonte”, explica ao PÚBLICO.

As estimativas dos cientistas dizem que a passagem de cometas suficientemente perto de nós para podermos olhar para o céu e vê-los sem ajuda de binóculos ou telescópios só acontece de dez em dez anos. Mas as probabilidades não controlam a natureza e só neste ano haverá não um, mas dois cometas para serem vistos sem intermediários.

“Talvez já se tenha ouvido falar no cometa ISON, que se pode tornar num cometa espectacular visível a olho nu no Outono”, disse Amy Mainzer, investigadora principal do projecto Neowise do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. “Mas com as condições certas não será preciso esperar pelo ISON. Dentro de alguns dias o cometa Pan-STARRS vai aparecer nos céus do Hemisfério Norte logo a seguir ao pôr do Sol”, disse a cientista na semana passada, numa notícia da agência espacial dos Estados Unidos.

Serão precisas as condições certas para a observação: céu sem nuvens e despoluído de luzes eléctricas. Rui Agostinho refere que como o cometa vai ficar muito próximo de horizonte, as luzes da cidade vão dificultar muito a visualização. O melhor será ir para o campo, para um local com uma boa panorâmica para oeste ou então ficar na costa, longe das urbes. De dia para dia o cometa será cada vez mais ténue e menos brilhante por já se estar a distanciar do Sol. Daqui a um mês, o espectáculo passará a ser quase impraticável e podemos despedir-nos do Pan-STARRS.

“Tendo em conta a previsão meteorológica, os melhores dias para tentar vislumbrar o cometa Pan-STARRS em Portugal Continental parecem ser entre quarta e sexta-feira (de 13/03 a 15/03)”, refere um comunicado do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, que adianta ainda que “nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, o mau tempo não deve dar oportunidade para ver este cometa”.

O cometa foi descoberto a 8 de Julho de 2011 pelo Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System, o programa de rastreio celeste feito em Haleakala, Maui, no Havai, por um telescópio de 1,8 metros de diâmetro. Desde aí já foram feitas mais de 1300 observações à sua órbita. A 5 de Março, passou a 164 milhões de quilómetros de distãncia da Terra e no domingo fez a aproximação máxima ao Sol, ficou a apenas 45 milhões de quilómetros de distância do Sol (Mercúrio, quando se aproxima mais do Sol, fica a 46 milhões de quilómetros). Nesse dia atingiu a visibilidade máxima.

Os cometas são enormes pedaços de gelo provenientes das regiões distantes do Sistema Solar. Quando se aproximam do Sol, dá-se a sublimação do gelo e são geradas uma pequena atmosfera de gás que envolve o núcleo do cometa e uma cauda que pode chegar a ter centenas de milhões de quilómetros.

É esta cauda que os torna tão especiais de serem observados. O Pan-STARRS começou por ser visto no Hemisfério Sul, em locais como a Austrália. Só depois, com o continuar da sua trajectória é que passou a ser observado a norte do equador.

Ainda não há certezas absolutas sobre o futuro deste cometa. “Com uma órbita aberta ele pode escapar do Sistema Solar e acabará por ser capturado por outra estrela”, explica Rui Agostinho.

Quem não conseguir observar a passagem do Pan-STARRS terá de esperar alguns meses pelo próximo cometa ISON para voltar a ter a oportunidade de desfrutar as possibilidades do nosso céu de 2013.

Público

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