Promotoria e defesa tentam convencer jurados no Pará

Promotoria disse que réus negam autoria por falta de testemunha ocular. Defesa alega que postura da imprensa prejudicou acusados.

José Rodrigues Moreira, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento sentam no banco dos réus no segundo dia de julgamento no Fórum de Marabá. (Foto: Tarso Sarraf/ O Liberal)
José Rodrigues Moreira, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento sentam no banco dos réus no segundo dia de julgamento no Fórum de Marabá. (Foto: Tarso Sarraf/ O Liberal)

Durante a manhã desta quinta-feira (4), a promotoria e os advogados dos réus José Rodrigues Moreira, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento tiveram 2h30 para defender seus pontos de vista diante dos sete jurados, que compõem o conselho de sentença do julgamento do assassinato do casal de extrativista José Cláudio e Maria do Espírito Santo. O julgamento está sendo realizado no fórum de Marabá, sudeste do Pará. O crime aconteceu em maio de 2011 em Nova Ipixuna, sudeste do estado.

A acusação foi a primeira a apresentar seus argumentos. Segundo a promotoria, os réus teriam participado do assassinato do casal de extrativistas para assegurar a posse por um lote de terra no assentamento Praialta-Piranheira, que havia sido adquirido de forma irregular por José Rodrigues. Este lote seria ocupado por uma pessoa apoiada pelas vítimas, de forma que o casal teria sido assassinado para garantir o sucesso do investimento imobiliario. Ainda segundo a acusação, todo assassino nega o envolvimento do crime quando não existem testemunhas oculares, e que desde a morte de Chico Mendes se cometem homicídios por conta de terras na Amazônia.

Os advogados de defesa mostraram vídeos no tribunal para tentar convencer os jurados da inocência dos acusados. Durante a exibição, a defesa alegou que a imprensa cobriu o caso de forma tendenciosa, fazendo com que os réus parecessem culpados. A defesa também expôs a importância estratégica da Amazônia por conta da sua riqueza mineral, o que poderia ter motivado a disputa pela terra que gerou o crime do qual os réus são acusados mas, de acordo com os advogados, não teriam envolvimento.

O julgamento deve seguir até as 14h30, quando será feito um intervalo para o almoço. A previsão é que a sentença seja divulgada entre 18 e 19h de hoje.

Manifestações
Representantes de movimentos sociais e entidades ligadas a direitos humanos continuam acompanhando o julgamento, na frente do fórum de Marabá. Eles homenagearam as vítimas de assassinato na amazônia, exibindo vídeos de José Cláudio, Maria do Espírito Santo, além de fotos da missionária Dorothy Stang, morta em 2005, e do massacre de Eldorado de Carajás, que ocorreu em 1996 no sul do Pará.

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