CPI do Tráfico de Pessoas ouve casal que adotou criança em Mazagão

Brasília, 07/05/2013 – A Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI – que investiga o tráfico de pessoas no Brasil ouviu nesta terça, 07, o casal Adriana Rodrigues da Silva e Alexander Fortes da Silva, de Jundiaí, São Paulo, que está com a guarda provisória de um bebê de Macapá que fora dada pelo juiz Saloé Ferreira da Silva, de Mazagão. O casal afirma que “fez o certo” e que a criança foi entregue para adoção pela família, mas a avó da criança, Magali Bandeira dos Santos, está questionando a adoção. Por isso, a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP) apresentou requerimento, aprovado pela CPI dia 27 de fevereiro, para ouvir todos os implicados no processo. Outra audiência ocorrerá em Macapá.

A socialista afirmou que a primeira impressão é de que o casal, que já adotou outra criança na cidade de Mazagão, tenha agido com boa intenção, mas isso não descarta a suspeita de vício no processo, que foi transferido para a Comarca de Macapá. O presidente da Comissão, deputado Arnaldo Jordy, corroborou o sentimento da deputada Janete, mas considera intrigante haver outros casos em Mazagão sob suspeição.

Acompanhado pelo advogado Hercílio de Azevedo Aquino, o casal afirmou aos parlamentares que está habilitado no Cadastro Nacional de Adoção e teria sido chamado à Mazagão para obter a guarda da irmã biológica da filha que adotou há cinco anos. No entanto, a família desta criança desistiu de entregá-la. Pouco tempo depois foram contatados para receberem uma criança que, segundo eles, estaria sofrendo maus tratos e teria sido dada à adoção pela família. Segundo o casal, que está com a guarda provisória, os dois levaram-na ao médico e deram entrada na certidão de nascimento apenas com o nome da mãe biológica. Dizem ainda que a criança sofrera um traumatismo craniano e que os pais estavam foragidos à época. Permaneceram por 10 dias em Mazagão e depois retornaram, já com a criança, para São Paulo. Os dois negaram ter pago qualquer valor para receber a criança, que tem duas certidões de nascimento.

A deputada Janete aponta como vícios o fato de que o processo deveria ter iniciado e prosseguido na Vara Judicial de Macapá, cidade onde estava a criança e onde mora sua família e que a adoção deveria ter sido feita, preferencialmente, por um membro da família biológica e, na ausência deste, por uma família da comunidade, neste caso, de Macapá.

Adriana disse que sua convocação à CPI teria sido motivada por “influência política” mas, questionada pela deputada Janete, não soube dizer que tipo de influência e por que afirmava aquilo na CPI. A deputada amapaense recebeu e solidariedade dos colegas parlamentares por conta da insinuação descabida.

A matéria já foi tema de reportagem do jornalista Luiz Carlos Azenha, no Jornal da Record, disponível no site da emissora.

Texto e foto:

Sizan Luis Esberci

CPI ouviu casal paulista que adotou criança em Mazagão

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