O dia em que o Amapá saiu de casa e protestou

Chico Terra - protesto Macapa (186)
Mais de 10 mil pessoas percorreram o centro de Macapá pedindo mudança. Ainda assim, um grupo de desordeiros entrou em confronto com a polícia e o caos se instaurou na avenida FAB.

Lívia Almeida

6 mil: este era o número de pessoas confirmadas no evento criado na rede social Facebook para o ato público que aconteceu em Macapá. Entre 10 mil e 20 mil: este foi o número de pessoas que compareceram ao ato público que aconteceu em Macapá. Um número equivalente à revolta dos amapaenses que se  deslocaram ao centro da capital do estado.

Estudantes, professores e vários outros manifestantes concentraram-se na Praça da Bandeira, às 16h e mesmo com o sol a pino caminharam pelo centro comercial da cidade gritando palavras de protesto, chamando os curiosos que estavam à beira da rua para participar do ato, tudo de maneira pacífica. Cada um levantando uma bandeira, todos pedindo mudança. A estudante Bia Azevedo não acreditava, a princípio, que o manifesto daria certo, pois segundo ela: “Há muitos cidadãos que são acomodados ou atrelados à política/estado que ficam receosos de participar deste tipo de manifestação”.

O acadêmico do curso de Publicidade e Propaganda, Paulo Rafael afirma que o motivo de sua ida ao manifesto foi relacionado ao preço da passagem de ônibus, mas também pela luta a favor de um país diferente: “Eu sou acadêmico e dependo do transporte público, fui pelo não aumento da passagem de ônibus mas, além disso, por um Brasil melhor!”. Assim como Paulo, quando perguntada sobre o que a motivou a ir para o ato, Bia diz quais suas razões: “O caos tanto na saúde quanto na educação pelo que o nosso estado está passando, o que acontece a bastante tempo.

E o gás desfez a paz

O manifesto terminou 18h30 de volta ao local de concentração. Grupos reuniram-se sentando no gramado da praça, nos quiosques, por toda parte via-se gente descansando após um dia histórico no estado. No entanto, o clima de paz que esteve presente durante o ato se desfez em segundos, após o início de um confronto entre policiais e algumas pessoas que se infiltraram no meio da manifestação para cometer violência pura. Após um rapaz acertar uma policial militar com um objeto no rosto, a polícia militar, com o reforço do BOPE, revidou arremessando contra todos bombas de gás lacrimogêneo, spray com pimenta e balas de borracha.

Jovem passa mal no meio da praça da Bandeira, após inalar gás lacrimogênio. Foto: Gabriel Dias
Jovem passa mal no meio da praça da Bandeira, após inalar gás lacrimogênio. Foto: Gabriel Dias

O cruzamento da avenida FAB com a rua General Rondon se transformou em uma “faixa de Gaza” dividindo polícia e manifestantes. Alguns membros de movimentos que estavam envolvidos com a manifestação e estudantes tentaram pedir à polícia que interrompesse o ataque, sentaram no chão pedindo paz, mas não houve acordo e a polícia continuou a atingir quem estava por perto. A maioria dos que se encontravam em frente à praça da Bandeira não faziam parte dos vândalos que atacavam a polícia, mas mesmo assim sofreram ataques inalando gás e passando mal. Uma garota chegou a desmaiar no meio da praça e foi levada pelos amigos que estavam indignados com a violência. Crianças, idosos todos corriam para se proteger das bombas de efeito moral.

Centro de Convenções Azevedo Picanço destruído após depredação de vândalos. Foto: Gabriel Dias
Centro de Convenções Azevedo Picanço destruído após depredação de vândalos. Foto: Gabriel Dias

Sem controle nenhum o confronto continuou com os vândalos depredando e invadindo prédios públicos, queimando carros, quebrando ônibus. O caminho da destruição se estendeu pela avenida FAB desde a rua Tiradentes até a Hamilton Silva.

Paulo conta que presenciou o início da baderna e que percebeu que o ato era sem razão: “Eu estava muito próximo quando a confusão começou, pude ver que a maioria eram pessoas que foram lá apenas para puxar confusão e não para lutar por melhorias, essas pessoas só fazem a manifestação regredir, e mostrar pra mídia tudo o que ela quer ver”. O estudante condenou o grupo que destruiu os prédios na avenida FAB: “Achei desnecessária a atitude tomada, alguns prédios que foram destruídos nada tem a ver com o propósito da manifestação, infelizmente isso aconteceu.

De acordo com a polícia um grupo foi pago para cometer estes atos, mas não sabe-se quem deu a ordem. Às 22h30 a violência cessou, mas restaram feridos, prédios depredados e a sombra de um ato de rebeldia que manchou o dia em que o Amapá tomou as ruas para protestar.

Novos atos

Segundo a comissão responsável pelo manifesto, na sexta-feira (21) haverá uma reunião, às 19h na praça da Bandeira para decidir quando acontecerá um novo protesto. Ainda assim, algumas pessoas que não estão vinculadas à comissão, decidiram realizar um novo protesto nesta tarde de quinta-feira.

A avenida FAB já encontra-se bloqueada e várias pessoas já se fazer presentes no local. Em nota no facebook, o Movimento Amapá Contra a Corrupção afirma que este ato não foi organizado.

Chico Terra - protesto Macapa (185)

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