Proextrativismo injetará mais de R$ 900 mil na produção extrativista de Mazagão

Após experimentar o aumento da produção de açaí nos 30 hectares de seu terreno, situado às margens do Rio Ariramba – nos limites de Mazagão -, o extrativista Natanael Nunes de Oliveira não tem mais dúvida: “Preciso continuar o manejo dos meus açaizais para a produção seguir crescendo”, acredita.

Ele é um dos extrativistas do município que comprovaram o crescimento da colheita depois de aplicar as técnicas de manejo sustentável ensinadas pelos extensionistas do Instituto Estadual de Florestas do Amapá (IEF).

No entanto, o contraponto para esses produtores é que manejar ainda não é uma atividade em conta. Em média, cada hectare requer recursos de mais de R$ 1 mil. Contudo, um novo plano criado pelo Governo do Amapá não só vai oferecer um aporte financeiro para o manejo que o produtor Natanael tanto precisa como vai fomentar e dinamizar a economia extrativista no Estado.

Lançado pelo governador Camilo Capiberibe, nesta quinta-feira, 18, durante a programação do PPA Participativo 2013/2015 em Mazagão, o Programa de Desenvolvimento da Produção Extrativista do Amapá (Proextrativismo) vai injetar, somente no segmento produtivo mazaganense, R$ 912 mil. Lá, esse recurso vai desenvolver as cadeias produtivas do açaí, da castanha-do-brasil e da madeira.

“O programa vai fortalecer as atividades produtivas familiares, propiciar o aumento quantitativo e qualitativo da produção, e a inserção competitiva desses produtos da sociobiodiversidade no mercado”, comentou o governador Camilo.

Até 2014, duas mil famílias deverão ser contempladas. Durante o lançamento do Proextrativismo, que ocorreu na Escola Estadual Dom Pedro I, o governador entregou alguns dos 200 cartões dados em mãos para as primeiras 200 famílias selecionadas. Com esta credencial em mãos, os extrativistas poderão ter acesso ao aporte financeiro previsto pelo plano.

Coordenado pelo IEF, o programa abrange ainda a cadeia produtiva do cipó-titica. Os benefícios para extrativistas que trabalham com estes quatro produtos vão desde o aporte financeiro para promover o manejo no processo de extração, licenciamento ambiental, assistência e técnica para a melhoria na qualidade do produto a ser comercializado, até as compensações ambientais.

Produtores de madeira terão um incentivo de R$ 3,5 mil. Os que trabalham com açaí e com a castanha-do-brasil serão beneficiados com R$ 1,5 mil. E extrativistas do cipó-titica receberão R$ 1 mil. Até o final deste ano o programa atingirá mil famílias. O recurso inicial do Proextrativismo é de R$ 3,25 milhões – apoio financeiro não reembolsável.

Nova sede

Mazagão é o município com maior número de beneficiários do Proextrativismo: 555 famílias, que trabalham com o açaí, a castanha e a madeira. Por isto, o Governo Estadual decidiu estruturar uma sede regional na cidade para atender a esta demanda. Antes de lançar o programa, o governador inaugurou o escritório do IEF no município, que vai atender com quatro engenheiros florestais e outros três técnicos florestais formados nas escolas-família da região.

“O governo está levando a assistência técnica necessária para perto do produtor”, analisou a diretora-presidente do IEF, Ana Euler.

Compensação ambiental

A segunda fase do Proextrativismo compreende linhas de crédito específicas, com recursos mais robustos, para os beneficiados que cumprirem com as orientações da primeira etapa. Essas linhas de crédito são destinadas a pagamento por serviços ambientais. Elas serão amortizadas como forma de compensação pelo fato dos produtores manterem a floresta em pé, provendo os chamados serviços ambientais.

Elder de Abreu/Secom

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