Assim como nós perdoamos

Dom Pedro José Conti - Bispo de Macapá
Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

João Esmoler, patriarca de Alexandria, encontrou uma maneira simples para convencer um rico senhor a fazer as pazes com o seu inimigo. Certo dia mandou chamá-lo com a desculpa de querer falar de negócios. Depois lhe pediu que ficasse para participar da Missa que, em seguida, ia celebrar na sua capela particular somente com a presença do sacristão. A este, o patriarca ordenou que, durante a oração do Pai-Nosso, silenciasse quando chegassem às palavras: perdoai-nos as nossas ofensas…Quando chegou o momento, todos começaram a rezar o Pai-Nosso em voz alta, mas às palavras “ Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” se ouviu somente a voz daquele senhor. O santo João olhou para ele e disse:

– Meu amigo, eu lhe imploro, reflita sobre o que acabou de dizer neste momento tão solene da celebração. Para ser perdoado deve também saber perdoar.

Então o nobre jogou-se aos pés do santo e prometeu reconciliar-se com o seu desafeto.

No evangelho deste domingo, Jesus é criticado porque dava atenção aos publicanos e pecadores. A parábola que ele contou para explicar a sua atitude, na realidade, é formada por três parábolas. A mais conhecida é, sem dúvida, aquela dos dois irmãos, dos quais o menor sai de casa com a sua parte de herança, esbanja tudo e volta somente quando lhe faltam comida e dignidade. No entanto todas as três parábolas nos apresentam dois momentos distintos: a dor da perda e a alegria do reencontro.

O pastor sente a falta da centésima ovelha que se perdeu e não se quieta até encontrá-la. A mulher que perdeu uma das dez moedas, varre a casa toda até encontrá-la. Ambos chamam amigos e vizinhos para festejar. Também o pai da terceira parábola sofre pela saída do filho. Aos servos e ao outro filho repete que aquele que voltou “estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi encontrado”. Precisa fazer festa. Uma grande festa. No entanto este pai nos parece inerte. Não reagiu quando o filho deixou a família e não foi atrás dele depois. Não o ameaçou quando saiu e nem o repreendeu quando voltou. Ao contrário, foi ao seu encontro e o abraçou. Igualmente não obrigou o filho maior a entrar para participar da festa, simplesmente “insistiu” com ele; pediu, não mandou. Que pai é este?

Talvez esteja aqui o segredo do evangelho e da maneira de Deus nos amar. O que parece fraqueza é a força de Deus. O que parece desistência é a bondade do Pai. Nós somos os filhos pecadores, desobedientes, ingratos que esbanjam as riquezas recebidas. Somos também os filhos que não saíram da casa, mas lá permaneceram insatisfeitos, interesseiros, prontos a reclamar, julgando os outros, incapazes de entender o coração misericordioso do Pai.

O caminho que Deus escolheu para nos salvar não foi o caminho do poder e da imposição. Estes geram ódio, revolta, disputa. A aparente “inércia” do Pai tem o nome do Filho, tem a força da cruz do Filho. Jesus se colocou ao lado dos pecadores, ele que não tinha culpa se fez pecado, diz São Paulo (cf. 2Cor 5,21). Jesus mostra o rosto misericordioso do Pai que quer ganhar a confiança dos seus filhos para que correspondam livremente ao seu amor. Somente assim os dois filhos podem reconhecer-se como tais. Sem a experiência da gratuidade e da  liberdade do amor, a casa paterna não pode ser alegre e festiva. Até que os filhos se sentem empregados, com o desejo de fugir ou obrigados a ficar por medo do Pai, a casa paterna não acolhe, sufoca. O Pai não quer filhos infelizes, sente compaixão por eles. Prefere esperar, aguardar, fica olhando de longe, preparando o abraço do perdão. Quando o filho menor decide voltar, corre ao encontro dele. E quando o filho maior não quer entrar na festa, sai para suplicá-lo. Somente Deus pode ser um Pai assim. Parece não fazer nada e faz tudo, porque ama e perdoa.

É no silencio do nosso coração que Ele deixa ecoar as suas palavras de perdão. Aquelas que Jesus ensinou. Ele quer que aprendamos a sermos irmãos e não inimigos, quer que vivamos a misericórdia e a compaixão. Tem música e barulho de dança. A festa do perdão vai ser inesquecível. Dá vontade de entrar, não dá?

Um comentário em “Assim como nós perdoamos

  • setembro 12, 2013 em 7:14 pm
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