Bactérias podem influenciar no parto prematuro

Thassiana Macedo

Estudos mostram relação entre a periondotite e a gravidez prematura. Foto: Reprodução
Estudos mostram relação entre a periondotite e a gravidez prematura. Foto: Reprodução

De acordo com o periodontista Gustavo Fatureto Escobar, a periodontite é uma doença que atinge grande parte da população e que, se não tratada, pode levar à perda de dentes e a outros problemas de saúde pouco conhecidos. “É uma doença inflamatória, geralmente crônica, causada por bactérias que levam à perda dos tecidos que suportam e protegem os dentes, como gengiva, fibras periodontais e osso. Como consequência, há o surgimento das recessões ou retrações gengivais, o sangramento, o mau-hálito, a mobilidade dental e presença de infecção”, explica.

Segundo Escobar, estudos mostram que há uma forte relação entre esta infecção e outras doenças como o diabetes, as doenças cardiovasculares e respiratórias, e complicações na gestação, como nascimento de bebês prematuros e com baixo peso. É o que diz pesquisa divulgada pela publicação científica americana “Plos One”. Segundo estudo, o parto prematuro de bebês pode ser causado por bactérias específicas. O resultado pode ajudar na busca por um melhor tratamento para mulheres que correm o risco de dar à luz antes do tempo. O trabalho sugere que certas bactérias podem levar ao afinamento das membranas ao redor do bebê, tornando mais fácil que elas se rasguem.

Essa ruptura precoce provoca quase um terço de todos os nascimentos prematuros de bebês, aponta a pesquisa. Em situações normais, a membrana que compõe a bolsa que envolve o bebê dentro da barriga da mãe só é rompida no início do trabalho de parto. Se isso acontece antes da formação do bebê, a medicina dá o nome de “Ruptura Prematura das Membranas (PPROM, na sigla em inglês).

Os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, também constataram alto número de bactérias no local onde as membranas se rompem – o que está associado ao seu afinamento. Eles concluíram que se as bactérias são a causa, e não a consequência da ruptura, pode ser possível rastreá-las no início da gravidez e desenvolver novos tratamentos com antibióticos, ou mesmo elaborar uma tela para reduzir os riscos para as mulheres com maior propensão. (TM)

 Alguns cuidados podem reduzir os riscos:
• escolha da higiene correta: escova macia, de cerdas niveladas e uso de fio dental certificado;
• cuidado com a gengiva, a escovação precisa ser suave;
• o uso do fio dental deve ser frequente e sempre em frente ao espelho;
• a visita ao dentista deve acontecer por no mínimo duas vezes ao ano, ou seja, a cada 6 meses.

Para quem já possui a inflamação, os cuidados são ainda mais importantes:
• para manter a inflamação controlada, o ideal é visitar o periodontista mensalmente;
• usar escova, creme dental e enxaguatórios especiais, recomendados pelo dentista de confiança;
• sobre os enxaguantes bucais, especialistas recomendam evitar o uso contínuo. Procure usar com “descanso” de um dia a uma semana entre os enxágues;
• evite o cigarro, pois dificulta o controle da inflamação.

JM Online

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