Festival Gay de Cinema: a partir de hoje o debate através da sexualidade na tela

Festival abre sua quarta edição com documentário australiano “Out in the Line-Up”, que retrata a vida de surfistas gays

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O filme é baseado na história de David Wakefield, um surfista australiano que foi campeão estadual e que passou 20 anos escondendo sua homossexualidade por medo das reações de outros surfistas. Foto: You Tube

Começa nesta quinta-feira (3) e vai até 13 de julho (dia da final da Copa do Mundo) a quarta edição do Rio Festival Gay de Cinema, com mais de cem títulos entre filmes de curta e de longa metragem provenientes de 24 países.

Desta vez, o filme de abertura do evento será um documentário que acompanha dois surfistas gays em uma viagem ao redor do mundo conversando com praticantes do esporte em todos os continentes: Out in the Line-Up.

O filme é baseado na história de David Wakefield, um surfista australiano que foi campeão estadual e que passou 20 anos escondendo sua homossexualidade por medo das reações de outros surfistas. Um dia, ele descobre o site gaysurfers.net, e faz amizade com seu fundador, Thomas Castets, que o encoraja a se declarar gay e que estará na abertura do festival.

No ano passado, o diretor Ian Thomson falou ao Lado Bi, sobre a homofobia no surfe e como seu filme pode ajudar surfistas gays a conciliarem suas paixões por ondas e pessoas do mesmo sexo.

“Certamente a gente torce para que o filme derrube alguns estereótipos e abra o caminho para mais abertura e aceitação. Nossa intenção é iniciar uma conversa que possibilite um futuro em que ser abertamente gay no surfe não seja mais uma questão.”

No entanto, o documentário mostra que a aceitação, de continente para continente, varia. Segundo Thomson, dois surfistas gays que foram entrevistados para o filme na África temiam por suas vidas, caso sua homossexualidade fosse revelada.

O documentário mostra ainda que alguns praticantes abandonaram o esporte por não serem aceitos. E revela ainda outro componente do machismo envolvendo surfistas lésbicas.

“Muitas das surfistas homossexuais com quem conversamos disseram que, como mulheres surfistas, elas costumam ser respeitadas e protegidas pelos surfistas homens das praias que frequentam – contanto que todos pensem que elas são heterossexuais. Depois de saírem do armário muitas reclamaram de serem constantemente agredidas verbalmente, sendo chamadas de ‘sapatonas agressivas’ – especialmente se elas pegavam uma onda melhor, ou surfavam melhor que os homens ao redor. As surfistas profissionais que entrevistamos relataram haver uma pressão gigantesca dos patrocinadores para que elas não agissem como gays, já que isso torna mais difícil conseguir ensaios fotográficos e mais patrocinadores.”

Trailer:

Outros destaques

A programação do festival, que pela primeira vez terá exibições na zona norte do Rio, terá uma competição internacional de longas-metragens (grande parte documentários) que vai receber 14 filmes inéditos, e outra apenas para curtas, com 57 títulos.

Dentre os longas, destacam-se São Paulo em Hi-Fi, do diretor Lufe Stephen, que relata os primórdios da noite gay paulistana (confira a participação do diretor no Lado Bi da Noite); o canadense I’m a Porn Star, que trata dos bastidores do pornô gay, mostrando inclusive que alguns homens héteros aceitam participar desses filmes “porque o cachê é maior”; o filipino-americano What’s the ‘T’?, que acompanha a vida e as convicções de cinco transexuais; o americano Seventh-gay Adventists, que conta a história de três casais de homossexuais que lutam para se manter na igreja adventista; e o argentino Familias por Igual, que mostra depoimentos de casais homossexuais e de filhos criados por eles.

Há também espaço para comédias românticas, como The 10 Year Plan, que conta a história de dois amigos que fazem um pacto: se em dez anos eles não encontrarem um parceiro, se casarão.

Na parte dos curtas, outro destaque para o espanhol Love Wars, uma sátira à franquia Star Wars que conta o romance de dois Stormtroopers na Estrela da Morte. Em meio às batalhas, questões contemporâneas sobre sexualidade são discutidas.

Confira a programação completa no site oficial do festival, que terá sessões dos já consagrados Praia do FuturoHoje Eu Quero Voltar Sozinho e Tatuagem.

Lado Bi

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