Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente no Brasil: “Teremos mais plástico que peixes nos mares”

Nascida em Goiás, ambientalista veio ao Rio para as comemorações da Semana do Meio Ambiente e para lançar a campanha “Mares limpos”

POR GABRIEL MARTINS 19/06/2017 4:30

“Sou formada em História e Relações Internacionais. Quando tinha 23 anos, fui fazer um estágio em diplomacia em Roraima, mas acabei me envolvendo com a questão ambiental e passei a me dedicar à Amazônia. Já atuei no governo federal, fui CEO da WWF Brasil e há seis anos estou nas Nações Unidas.”

Conte algo que não sei.

Até 2050, se continuarmos lidando com a natureza da mesma forma que hoje em dia, teremos mais plástico que peixes nos mares. Caso sigamos o mesmo ritmo e as perspectivas ambientais não forem mudadas, vamos olhar para os mares e enxergar plástico.

As legislações brasileiras, efetivamente, protegem o meio ambiente?

As leis ambientais do Brasil são das mais avançadas do mundo. Em termos de recursos hídricos, por exemplo, talvez sejam as mais avançadas. O Brasil sempre foi relevante nessa área de legislação ambiental. Porém, um dos maiores problemas é a aplicação da lei. O que precisamos fazer é aplicar as leis já existentes, que são extremamente de vanguarda e necessárias para o país.

Quais os principais agentes que contribuem para a destruição dos ecossistemas?

As pessoas têm sido pouco cuidadosas com a natureza e seus recursos. Não adianta falarmos só da causa se a gente não fala na origem. Percebemos que nós estamos nessa origem. Não estamos criticando todo mundo, mas grande parte da população não se preocupa com essa área. Hoje em dia, se não tivermos todos os segmentos da sociedade produtiva alinhados com as necessidades básicas do planeta, não vamos conseguir superar esses impasses tão graves que a gente está passando.

Como os animais estão sendo afetados pela poluição e pelas mudanças climáticas?

O plástico à deriva é facilmente confundido com uma água viva, componente alimentar de várias espécies marinhas, principalmente as tartarugas, que não digerem esse material. Assim , o plástico ocupa um espaço no estômago das tartarugas, elas têm a sensação de estarem alimentadas e acabam morrendo por inanição. Estamos constantemente jogando inúmeros detritos no mar e isso é extremamente prejudicial. Precisamos ter uma mudança de comportamento e visão de mundo para que possamos realmente construir um planeta saudável.

 

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