Saúde indígena é debatida nos currículos das escolas de medicina

As experiências das Universidades Federais do Acre (Ufac) e do Amapá (Unifap) na oferta de estágios em saúde indígena foram apresentadas no mês de setembro em reunião da Comissão Médicos de Fronteira, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Os professores das faculdades de medicina da Ufac, Osvaldo de Souza Leal Júnior, e da Unifap, Alceu dos Santos Silva, defenderam a necessidade da inclusão, nos currículos, da temática e argumentaram para a necessidade de se oferecer alternativas de saúde para as populações indígenas, respeitando seus conhecimentos e tradições. “Acredito na inclusão da saúde indígena nos currículos, e estamos dispostos debruçarmo-nos sobre a questão com o objetivo de construirmos uma proposta do CFM”, afirmou a coordenadora da Comissão e conselheira federal pelo Acre, Dilza Terezinha Ambros Ribeiro.

As peculiaridades no atendimento às populações indígenas foi um dos temas debatidos. “Há uma tendência de se achar que todos os indígenas têm as mesmas tradições, o que é um engano. Às vezes, a distância é de poucos quilômetros entre uma nação e outra e enquanto uma aceita, por exemplo, a privacidade da consulta, na outra não é possível”, explicou Alceu Silva, que é originário de uma comunidade indígena. O conselheiro federal por Roraima, Wirlande Luz, explicou que quando era secretário de Saúde, construiu, em um hospital pediátrico, uma ala só para atender crianças indígenas. “Quando conseguíamos convencer uma família ianomâmi a internar uma criança da tribo, tínhamos de oferecer alojamento para toda a família, pois todos eles ficavam no hospital durante todo o tratamento”, exemplificou.

Alceu Silva relatou que uma das dificuldades é convencer os estudantes de medicina a estagiarem nas comunidades indígenas, mesmo a universidade oferecendo bolsas e os municípios oferecendo condições estruturais, como locomoção e abrigo. “A experiência, no entanto, tem sido transformadora e ao final do estágio, alguns dos estudantes que antes colocaram barreiras, agradeceram a oportunidade”, contou o professor. Osvaldo de Souza Leal explicou que há uma estratégia de sensibilização durante todo o curso: no início, quando se estuda a história da medicina; no meio, ao se abordar doenças mais prevalentes entre os indígenas, como as doenças tropicais e ao final, nos estágios nas comunidades indígenas. “O assunto é tratado de forma transversal, mas precisamos de um arcabouço normativo maior”, defendeu.

Também participaram da reunião da Comissão, Ademar Carlos Augusto, Aníbal Gil Lopes, Fatsal Augusto Auderete Sgaibe, Jeancarlo Cavalcante, Josemar Câmara Feitosa, Maria das Graças Creão Salgado e Mário Viana (convidado). Acesse, aqui, a apresentação elaborada por Alceu Silva e, aqui, o plano de ensino do estágio em saúde indígena realizado pela Unifap.

Também foram realizadas reuniões da Comissão Mista de Especialidades (CME), da Comissão Pró-Sus e da Comissão de Saúde Suplementar (Consur). Participaram da reunião da CME, Mauro Ribeiro (coordenador), Aldemir Humberto Soares, Neilton Araújo de Oliveira, Rosana Leite de Melo, Fabrício Valadares Reich, Mariza D’Agostinho Dias e Thales Caetano. Foram debatidos pedidos de reconhecimento para algumas área de atuação.

A Comissão da Saúde Suplementar, coordenada por Salomão Rodrigues, também se reuniu para tratar de assuntos como os planos de saúde populares, novas formas de remuneração para os médicos, fator de qualidade e contratualização. Participaram dessa reunião, além do coordenador, Celso Murad, João Batista Gomes Soares, Maria Rosa de Araújo, Mário Fernando da Silva e Wirlande Santos Luz. A Comissão Pró-SUS também realizou reunião nessa terça-feira. Os participantes foram Donizete Giamberardino (coordenador), Cláudio Franzen, Arhned Haydar, Mariana Gazolla Ribeiro e Wilton Matos da Paz Filho.

Divulgação: Conselho Federal de Medicina

Assessoria de Comunicação UNIFAP

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