‘O centro do Brasil é a Amazônia’, afirma a jornalista Eliane Brum

Escritora gaúcha lança em Manaus a nova edição do livro “O olho da rua”, com dez grandes reportagens

A escuta é a principal ferramenta usada por Eliane Brum em suas reportagens. “Em geral bato na porta das pessoas e, sempre que possível, não faço a primeira pergunta”, costuma dizer a jornalista e documentarista gaúcha. O resultado desse exercício pode ser conferido no livro “O olho da rua: uma repórter em busca da literatura da vida real”, que ela lança na Banca do Largo São Sebastião nesta sexta-feira, a partir das 18h.

Reeditada pela Arquipélago e ampliada pela autora, a obra reúne dez grandes reportagens feitas ao longo da primeira década deste século, em diferentes lugares do Brasil. A vinda da jornalista para Manaus e a noite de autógrafos são uma iniciativa da agência Amazônia Real, que completa quatro anos de dedicação ao jornalismo independente e investigativo na região.

Este é, aliás, um lugar caro a Eliane, que escreve sobre a Amazônia desde os anos 90. “Desde então, sempre achei difícil falar da Amazônia no singular. Me parece que são muitas as Amazônias, cada uma com a sua singularidade, todas extraordinárias”, comenta. “Nos últimos anos ficou claro que é preciso deslocar o lugar do centro no Brasil. O centro não é Rio-São Paulo-Brasília. O centro é a Amazônia. Por várias razões e porque em tempos de mudança climática causada por ação humana, a floresta se tornou ainda mais estratégica para a própria sobrevivência da nossa espécie e de todas as espécies vivas. E, ainda assim, segue tão ameaçada. Não é preciso ser um especialista para imaginar o que acontecerá com o planeta sem a floresta”.

Apesar de ter feito reportagens em todos os estados da Amazônia Legal, ela admite que conhece apenas uma porção da região, e espera fazer com que seus leitores também descubram sua realidade, sua gente e suas contradições. “Hoje, a floresta é defendida, quase na solidão, pelos mais frágeis: povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e pequenos camponeses. E muitos deles têm sido assassinados por defenderem a floresta. E essa é uma luta que deveria engajar a todos. É por isso que eu sempre volto. Para contar essas histórias de luta e de resistência de uns poucos pela vida de todos”.

Veja matéria completa no Jornal A Crítica

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