Solidão é o maior medo dos idosos no Brasil, diz pesquisa

Estudo feito em dez capitais, incluindo Salvador, revela que 29% temem acabar sozinhos

Pode até estar no imaginário de muita gente que a preocupação dos adultos, quando a idade vai chegando, é ter de lidar com os temidos fios de cabelos brancos, que tendem a aparecer na cabeça.

Mas uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia seccional São Paulo (SBGG/SP), em parceria com a Bayer, mostra que a maior preocupação dos idosos é o medo de acabar sozinho.

O estudo ouviu idosos em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Goiânia, Recife e Belém. Cerca de 2 mil homens e mulheres, acima de 55 anos, foram entrevistados.

Destes, 29% afirmaram que a maior aflição de envelhecer é o medo de acabar em um asilo ou ser afastado da família. A incapacidade de enxergar e se locomover vem em segundo lugar, afligindo pelo menos 21% desta faixa etária. Outros 18% dos entrevistados afirmaram que temem desenvolver doenças graves.

Expectativa de vida

Os resultados foram divulgados para jornalistas de todo país em um evento realizado nesta quarta-feira (25), na Vila Bisutti, em São Paulo. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa média de vida do brasileiro é de 77 anos.

Ainda segundo o instituto, há uma tendência mundial de redução de taxas de natalidade e número de óbitos. O presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil [no Rio de Janeiro], o médico gerontólogo Alexandre Kalache, explicou que a idade média do brasileiro que, em 1940, era de 45,5 anos, deve chegar a 78 anos, em 2020.

A pesquisa da SBGG mostra, ainda, que 63% de pessoas com mais de 55 anos pensa a respeito do envelhecimento. Pelo menos 33% afirmaram que lidam bem com a condição e outros 14% se disseram assustados com a velhice.

“Existem quatro capitais para envelhecer bem. São eles: saúde, conhecimento, capital social e capital financeiro”, comentou Kalache.

Em outras palavras, o médico disse que é necessário que as pessoas tenham hábitos saudáveis, se divirtam, tenham planejamento financeiro e estudem.

Brasil mais velho

De acordo com o especialista, a população com mais de 60 anos no Brasil, em 2015, era de 11,9%. “Em 2050, esse número vai triplicar e atingir a marca dos 66 milhões de brasileiros idosos [30,5%], ultrapassando o Canadá, que terá a marca de 30,1%”, pontuou.

Para a presidente da SBGG, a médica especialista em geriatria e gerontologia Maisa Kairalla, é comum que a sociedade tenha preconceitos e rótulos acerca do assunto. “É fundamental que o idoso seja ativo e saudável. Infelizmente, não ensinaram o Brasil a envelhecer”, analisou.

Pelo menos 37% dos entrevistados afirmaram que, para tentar envelhecer da melhor maneira, vai ao médico uma vez por ano e 51% das pessoas disseram procurar atendimento mais de uma vez neste período.

Entre os entrevistados, 38% contaram que praticam exercício físico de uma a duas vezes por semana. A alimentação saudável é uma realidade na vida de 68% deles, segundo a pesquisa.

“É um número bom. A saúde pública para o idoso é uma questão difícil. No ambulatório de Transição de Cuidados da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da Unifesp, onde trabalho, uma pessoa pode chegar a esperar um ano e meio para conseguir uma consulta”, afirmou a médica, durante o evento.

Medo da morte

Convidada para o encontro, a jornalista e apresentadora Marília Gabriela, 69, afirmou que o medo que as pessoas têm de envelhecer pode ter ligação com o medo de morrer.

“Depois do envelhecimento, vem a morte. Será que não é por isso? Acho que sim. Quando vi meu primeiro fio de cabelo branco, fiquei chocada. Pensei: ‘envelheci’. Eu consegui me manter muito jovem fisicamente, pratico pilates diariamente, bebo muito água e uso muitos cremes. Mas a libido, isso mudou. Mas essa mudança não me perturba”, contou a apresentadora.

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