Documentário mostra violência cultural contra os índios Aikewára

Em meados dos anos 1970, os índios da etnia Aikewára Suruí tiveram contato com soldados na Guerrilha do Araguaia, ocorrida no sul e sudeste paraense. A ocupação do território indígena por tropas do Exército, e consequentemente a violência cultural sofrida por esse povo, estão no documentário “Aikewára”, que será exibido pela primeira vez na TV Cultura do Pará no próximo domingo (17), às 21 h, dentro da faixa Cultura.DOC. Algumas cenas foram rodadas nas aldeias Sororó e Itahy, localizadas no município de São Geraldo do Araguaia, na região sudeste.

Em 80 minutos de duração, os diretores Luiz Arnaldo Campos e Célia Maracajá abordam a violência cultural sofrida pelos Aikewára, em uma visão inédita sobre a Guerrilha do Araguaia. A ocupação do território, na visão dos diretores, trouxe consequências desastrosas para esse povo, como o alistamento de jovens indígenas para a guerra e a extinção de práticas culturais.

Filmado em São Geraldo do Araguaia, o processo de construção do documentário contou com a consultoria do ativista Paulo Fonteles Filho, falecido em outubro deste ano, em Belém.

“Aikewára é a história de uma ressurreição em curso, mais uma, entre tantos outros renascimentos, de uma nação indígena que ao longo do tempo ultrapassou, por várias vezes, a ameaça da extinção física, seja nas mãos dos seus antigos adversários – os Kayapó –, seja no enfrentamento com fazendeiros ou mesmo na superação de epidemias, que no início da década de 1960 reduziram o povo a pouco mais que 20 indivíduos. É um filme sobre o direito à existência e sobre a resistência para fazer este direito existir”, explica o diretor Luiz Arnaldo Campos, sobre a produção que começou a ser gravada em 2015 e finalizada em fevereiro deste ano.

Comissão da Verdade – Além dos relatos dos indígenas sobre sua história, incluindo os combates contra os Kayapó, os primeiros contatos com os brancos e a experiência com as tropas na repressão à guerrilha, foram colhidas imagens do cotidiano e registrada a experiência da Comissão da Verdade Suruí, a primeira comissão indígena formada para levantar os fatos durante a ditadura militar (1964-1985).

Durante as filmagens, Célia Maracajá ministrou oficina de audiovisual indígena, com a participação de guerreiros veteranos, como Massu e Arekaxu, protagonistas das histórias narradas no documentário. O treinamento foi para que os indígenas pudessem entender o processo de criação do documentário.

“Aikewára é um filme sobre o silêncio e a quebra do silêncio. Durante décadas, o acontecido no decorrer da ocupação foi silenciado, por vergonha ou temor”, informa Luiz Arnaldo, lembrando palavras de Paulo Fonteles Filho.

Serviço: Exibição do documentário “Aikewára”, pela TV Cultura do Pará, no próximo domingo (17), às 21 h, dentro da faixa Cultura.DOC.

Por Bruno Magno

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