Exposição apresenta fotografias do desenvolvimento da Amazônia na década de 1970

Fotógrafo Rafael Gamba encontrou imagens no acervo de seu pai e propôs uma nova abordagem poética para as fotografias. Mostra abre no dia 6 de fevereiro, no Banco da Amazônia, em Belém, com entrada gratuita.

Com a proposta de refletir sobre o desenvolvimento econômico da região Amazônica, o fotógrafo Rafael Gamba apresenta a partir do dia 6 de fevereiro a exposição “Terra Sem Mal”, no Espaço Cultural Banco da Amazônia, em Belém. A entrada é gratuita. No dia 7 ele recebe o público para um bate-papo. A mostra, que foi contemplada com o edital de pautas 2018, apresenta 19 fotografias e um vídeo, realizado em parceria com a artista visual Viviane Gueller, que revelam o período em que o pai de Rafael, Isidorio Gamba, viveu em Manaus em meados da década de 1970, quando comprou uma câmera fotográfica e passou a retratar a paisagem – em plena mudança. A curadoria é de Fernando Schmitt.

Trata-se de um precioso registro do desenvolvimento urbano da capital do Amazonas e de locais próximos, à época do governo militar, com a implantação de projetos industriais e de exploração dos recursos naturais da região. A princípio, Rafael pensou em fazer um projeto que fosse voltado para o caráter afetivo sobre a cidade onde nasceu e viveu até os três anos de idade, já que mora há muito tempo em Porto Alegre, de onde sua família é natural. “Percebi que meu pai, transferido para trabalhar na indústria, acabou captando um momento histórico, desde queimadas até paradas militares, o porto da cidade, as áreas urbanas, povos indígenas, posseiros. Por isso, o projeto acabou se reelaborando”, explica.

Ao conviver por um período com as imagens, observá-las diversas vezes, Rafael Gamba passou a desviar o olhar das cenas principais, em uma tentativa de tecer uma narrativa que para além de um testemunho de um espírito de época, atribuísse visibilidade para um sentimento dominante de expectativa um tanto messiânica do futuro do país. Para Rafael, portanto, a proposta da exposição não se restringe à reconstrução de uma memória documental, mas de um projeto estético de problematização da noção de desenvolvimento.

As imagens feitas pelo pai, hoje com 80 anos, foram registradas com uma câmera analógica Nikon. Com essa mesma máquina, Rafael fotografou as imagens projetadas a partir de slides, selecionou detalhes, fez recortes e acentuou cenas que o chamaram mais atenção. “Foram diferentes aproximações do arquivo de meu pai, às vezes reproduzindo quase integralmente o que ele registrou em slide, outras modificando os enquadramentos, reservando meu olhar para detalhes das fotografias originais, extraindo pequenos fragmentos, nuances, a ação do tempo, fungos, manchas, desbotamentos”, conta Rafael.

Além de serem reapresentados em impressões fotográficas, estes slides aparecem também no vídeo da artista visual Viviane Gueller, na execução do processo de visualização empreendido pelo projetor, na passagem mecânica entre as imagens, no foco e na luz intercalada entre uma fotografia e outra, o ruído da ventuinha e do mecanismo do trilho que executa o avanço dos cromos. “No trabalho da Viviane há uma proposta de modificar a maneira como usualmente percebemos a imagem a partir do som, especialmente neste caso da cadência empreendida pelo mecanismo do projetor que nos remete a outro tempo, um tempo anterior ao digital, próprio da década retratada nas imagens desta exposição”, explica o artista.

Serviço

Exposição “Terra Sem Mal”, de Rafael Gamba
Abertura: 06/02/2018 (terça-feira)
Hora: 18h30
Endereço:  Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, 800 – Campina)
Conversa com o artista dia 07/02, 4ª.feira
Hora: 18h30
Entrada gratuita
Visitação: 07/02 a 06/04, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Agendamento de visitas monitoradas: (91) 99116-4988

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