Lava-Jato cumpre mandados de prisão de acusados por fraudes em fundos de pensão

Dinheiro desviado era enviado para empresas no exterior gerenciadas por um operador financeiro brasileiro

Operação Lava-Jato atinge, pela primeira vez no Rio de Janeiro, os fundos de pensão. Uma investigação sobre fraudes nos fundos Postalis e Serpros leva a Polícia Federal (PF), nesta manhã de quinta-feira (12), a endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. Devem ser cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão.

Entre os presos está o empresário Arthur Pinheiro Machado, detido em São Paulo. Ele é apontado como operador e criador da Nova Bolsa. No Rio de Janeiro, os agentes prenderam o economista Marcelo Sereno, que é ligado ao PT. Sereno já foi assessor especial do Ministério da Casa Civil durante o governo Lula, na época que José Dirceu era ministro da Casa Civil.

Buscas foram feitas também na casa do empresário Milton Lyra, em Brasília. Agentes da PF deixaram a residência com objetos apreendidos. Lyra aparece em várias investigações, com diversas ligações ao MDB no Senado. Também foi citado diversas vezes em delações, como a do ex-diretor de Relações Institucionais da Hypermarcas (hoje Hypera Pharma), Nelson José de Mello e contra ele há vários inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome da operação, Rizoma, faz uma alusão a como a corrupção atinge os diversos setores. Assim como a espécie de caule que se ramifica sob a terra, a investigação mostra como o processo de lavagem de dinheiro se entrelaça entre as empresas investigadas.

Segundo a PF e o Ministério Público Federal (MPF) foram identificados crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. “Os ilícitos têm vinculação a investimentos malsucedidos que geraram prejuízos aos fundos”, explica a PF em nota.

O dinheiro desviado dos fundos de pensão eram enviados a empresas no exterior. Segundo o MPF, todos os valores ilícitos eram gerenciados por um operador financeiro brasileiro. “As remessas, apesar de aparentemente regulares, referiam-se a operações comerciais e de prestação de serviços inexistentes”, de acordo com a PF. Os recursos eram então pulverizados em contas de doleiros também no exterior, que disponibilizavam os valores em espécie no Brasil para suposto pagamento de propina.

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