3ª Carta para Juventude debate violência policial com comunidade do Macapaba

Visando trazer informação e debate para a comunidade, a Prefeitura de Macapá realizou no fim de semana uma roda de conversa, compondo a terceira Carta para a Juventude, debatendo o tema violência policial com a comunidade do Residencial Macapaba. O aumento da criminalidade na capital do estado acaba estigmatizando regiões específicas da cidade, como o habitacional. A juventude é o principal alvo da violência que, quando não é física, acaba se traduzido em outras áreas institucionais.

 

“Quando a polícia chega ninguém pergunta se você está certo ou errado. Se estiver com um grupo de pessoas, independente do horário, acabará sendo abordado. A gente não sabe o que vestir ou o que fazer para evitar estar sob suspeita, sofrer abordagens, às vezes, agressivas por parte da polícia”, explicou o estudante de 18 anos, Edinelson da Silva.

 

Algumas demandas da comunidade jovem do residencial são a aplicação de cursos e projetos sociais que promovam a inclusão para que a juventude não se renda aos desvios sociais que existem na realidade amapaense. O presidente de bairro do residencial, Emerson Pimentel, disse que a criminalização da juventude do Macapaba é algo comum na sociedade, mas injusto. “Temos quase 25 mil famílias morando aqui, mas, em comparação com outros bairros novos, em um ano o Macapaba apresentou menos crimes do que em dois meses em outro residencial”.

 

“É de uma relevância extrema trazer esse tipo de debate para os nossos adolescentes, uma vez que existem poucos projetos aqui dentro que os acolhe. Mesmo assim, muitos são estudantes e trabalhadores, merecem se informar sobre seus direitos dentro da comunidade”, ressaltou Emerson. A representante do movimento feminista e negro do Amapá e do Ministério Público do Estado, Alzira Nogueira, junto com o professor e coordenador do curso de especialização em estudos culturais, Antônio Sardinha, estiveram como convidados no debate e trouxeram alguns questionamentos políticos e sociais para fomentar o debate.

 

“Vivemos em uma sociedade onde a distribuição de renda é vergonhosa, onde a desigualdade impera de forma muito indigna, e onde a cada 10 pessoas um possui a riqueza de quase nove. E aí que a polícia entra, por quê? Porque a polícia serve para ser essa ferramenta do Estado, para proteger parte da sociedade da outra parte”, explicou o professor Antônio Sardinha durante o evento.

 

“A parte mais importante desse evento é que ele é uma demanda da sociedade civil organizada para a prefeitura, onde eles nos procuraram diante da necessidade de se ouvir essa juventude do Macapaba. Por meio do nosso projeto já existente, Cartas para a Juventude, pudemos incluir esta pauta e atender aos anseios da juventude daqui também”, avaliou o coordenador municipal da Juventude, Otto Ramos.

 

O evento reuniu aproximadamente 30 jovens da comunidade, que, ao final da roda de conversa, tiveram a oportunidade de escrever suas demandas e sugestões para resolução ou melhora do relacionamento entre sociedade jovem e polícia dentro do local. Os textos irão constituir a 3ª Carta para a Juventude, um projeto que desde o início do ano vem colhendo as demandas dos jovens de Macapá e que encaminha esses pedidos para os órgãos competentes em cada área das temáticas abordadas.

 

Rafaela Bittencourt

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