Turismo amador

Não foi por falta de aviso, os Turistas do último transatlântico que aportou em Santana na terça feira passada, reclamaram tanto de nosso amadorismo para receber, que a Operadora responsável foi a mídia a reclamar da total falta de estrutura de nosso estado para receber transatlânticos.Aí o governo do estado, mandou a Secretária de Turismo na TV a tentar explicar o inexplicável.

A Secretária, mostrando sua total falta de preparo para ocupar o cargo que ocupa, jogou a culpa na Operadora e diz que a mesma não estava autorizada para operar no Amapá, e reconheceu que, realmente nós não estamos preparados para receber Turismo Transatlântico.

Engraçado, há um mês, a mesma Secretária foi a mídia a convocar empresários, taxistas e povo em geral para comparecerem a receber os Turistas, elogiando a Operadora que hoje ela condena.

Eu estou denunciando o que as entidades de classe ligadas ao Turismo, temem denunciar por medo a retaliações por parte do Governo.

Vou me remeter a 2007, quando proferi uma palestra em ocasião do aniversário da Fortaleza de São José, e na mesma ponderei as vantagens financeiras dos destinos Receptores que recebem Turismo Transatlântico, mas fui muito enfático em frisar que, para entrar nesse mercado, era necessário criar uma infra-estrutura que nós não possuímos.

Um aventureiro a procura de dinheiro fácil, seduziu um deputado a procura de holofotes, e contataram uma Operadora de transatlânticos, que em 2009 fez aportar em Santana o primeiro navio.

Essa primeira experiência foi terrível, não teve tradutores nem intérpretes, os Turistas não conseguiam se comunicar com ninguém nem para pedir água.

Os ônibus que transportaram os Turistas desde o primeiro transatlântico, são uma vergonha, são veículos fora de atividade, rejeitados pelas empresas para o uso diário de transporte de passageiros, sem ar condicionado, com bancos sem estofado, extremamente antigos, da à impressão que os “organizadores” não perceberam que os Turistas de transatlânticos são pessoas de altíssimo poder aquisitivo, acostumadas ao luxo e ao conforto. Isso sem contar com a sujeira que é o Porto de Santana.

A falta de experiência dos organizadores fez com que os Turistas embarcados, esperassem por mais de três horas no navio, até chegar a autorização da Capitania dos Portos (que devia estar pronta assim que o navio aportou), para poderem desembarcar.

Este ano, uma Diretora Pedagógica de uma Faculdade local, foi obrigada a auxiliar os Turistas que, por falta de intérpretes simultâneos, não conseguiam se comunicar com os donos de lojas na Casa do Artesão.

Obra em poder deste Jornalista cópia de uma carta enviada a EMBRATUR pela socialite paulista Walkiria Mendes Caldeira, embarcada num dos transatlânticos que aportou no Porto se Santana, criticando o amadorismo e a falta de estrutura dos amapaenses para receber Turismo Transatlântico.

Longe de mim, querer reprovar o Amapá como Destino Receptor de Transatlânticos, só que para atingirmos esse patamar teremos que nos estruturar, qualificar mão de obra, revitalizar o Porto de Santana, treinar intérpretes simultâneos, colocar a disposição dos Turistas, ônibus decentes para transportá-los etc.

Vou voltar a tocar nessa tecla que toco há anos, se pretendemos que nosso Turismo seja profissional, gere renda e empregos e, conseqüentemente melhore nossa qualidade de vida, não podemos deixar a gestão turística nas mãos de amadores, apadrinhados políticos e curiosos.

No dia 14 de abril, começa em Cayene, o Salão Mundial de Turismo e Amapá estará lá representado por profissionais do Sindicato dos Guias de Turismo e da iniciativa privada, já que nossos gestores, sequer tomaram conhecimento do evento.

É um privilégio poder escrever para o povo amapaense…

Professor Rubens Caran
Mestre em Turismo _ MBA em 3º Setor – Jornalista e Escritor

4 comentários em “Turismo amador

  • abril 3, 2011 em 8:35 pm
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    Muito feleiz as palvras do Professor. O turismo para ser bem sucedido deve haver uma colaboração e integração de algumas categorias, principalmente do setor público e privado. Percebe-se que infelizmente o Amapá diante de tanta riqueza natural e cultural precisa de uma atenção maior por partes dessas categorias. Logo, não possui uma infraestrutura, que não algo desenvolvida para atender os turistas, mas, principalmente a comunidade local, muito menos a superestrutura que aí sim são desenvolvidas especialmente para responderem às demandas dos visitantes.
    Sou amapaense, graduada em Turismo e moro em Salvador e fico na torcida que a Atividade turística no Amapá se desenvolva.

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  • abril 6, 2011 em 12:01 pm
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    Pôxa uma tristeza tudo isso, eu faço o maior auê aqui na Europa com a publicidade de nossas cidades, municipios etc…que vergonha hein! E eu vejo o quanto os estrangeiros têm interesse de conhecer nossa região, mas desse jeito é vergonhoso!!! Precisamos de gente que saiba desenvolver o turismo de verdade, chega de apadrinhamento e de confiar cargos à pessoas que não saibam administrar nosso potencial turismo de forma correta.

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  • abril 15, 2011 em 11:13 am
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    Saudacoes Professor Caran ja estou na Guiana Francesa, estamos na missao de divulgacao dos Congressos brasileiro de Guias de Turismo 2011 e 2012 Sergipe Aracaju e Amapa Macapa e ACAI FEST que ira acontece em setembro em Macapa, alem de divulgacao de roteiros de agencias parceiras, bem como varias reunioes marcadas com trade regional e companhia de guias de turismo, e principalmente inciar uma conversar para avanco do projeto PTCA Produto Combinado da Amazonia, em maio vamos efetuar a primeira grande operacao de turismo com a Guiana Francesa e Amapa devido a presenca de diversos congressistas que irao participar do XXXII congressos de guias de turismo de 2012 no Amapa. envio noticias mais tarde

    tenha um bom dia

    Marcelo de Sa
    Guia de Turismo
    SINGTUR AMAPA

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  • abril 28, 2011 em 2:52 pm
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    Que bom reencontrar nomes conhecidos poraqui… Fico entristecido com a imagem negativa que se cria e a falta de coerência da administração publica. Tenho convicção que a iniciativa privada esta pronta para trabalhar, mas com a falta de infraestrutura publica, fica complicado oferecer um produto ao nivel deste publico. Trabalho como guia turistico independente no oeste da Guiana Francesa e anualmente realizo expedições, é preciso dizer expedições de aventura no Amapa. Entre o percuso arqueologico magnifico e outras maravilhas do estado, posso assegurar que realizo tal atividade com muita “raça”, pois todo tipo de problema ja enfrentei por falta de politicas objetivas no setor. Desde o preço exorbitante praticado pelo especulador da Balsa Lunay no Oiapoque até os assaltos na inexistente BR 156. Sou apaixonado pela nossa Amazônia e continuarei nossas viagens, mas gostaria de conquistar um outro publico aqui na “europa” e não somente o publico de turismo de aventura. Que a historia deste estado seja definitivamente colocada em valor, que um monumento se erga no quase quilombo do Cunani. O povo local de varias comunidades da região esperam com avidez iniciativas gorvenamentais no dominio da formação em turismo e linguas, além de outros investimentos. Mestre em Turismo Sustentavel pela Universidade de Paris, analisei um pouco a problematica transfonteiriça com o Parque do Cabo Orange, no momento de minha dissertação de final de curso em 2007 e acredito no fundo do meu coração que muita pobreza, não somente financeira, mas também cultural pode ser banida com uma valorização do patrimônio, e inserção de populações na cadeia produtiva do turismo sustentaval…. Quantas lagrimas foram derramadas entre eu e senhor João Barros, presidente da associaçoe de moradores do Cunani, nos momentos mais dificeis de nossas viagens… Felizmentes nossos poucos turistas são bons aventureiros, mas até quando?
    Abraços à Todos….

    Alessandro Alencar
    Une Autre Amazonie
    Uma Outra Amazônia
    Connaître pour préserver
    Conhecer para preservar

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