Rio em MT recebe 60 milhões de litros de esgoto; diretores de empresa presos

A Polícia Civil prendeu em flagrante o engenheiro do Serviço Ambiental de Rondonópolis (Sanear),  Hermes Ávila de Castro, por crime contra o meio ambiente. Precisamente, pelo derramamento de 60 milhões de litros de esgoto sem tratamento no Rio Vermelho, um dos mais importantes formadores da Bacia do São Lourenço.  Outros dois altos funcionários da empresa, Júlio Goulart, que ocupa o cargo de diretor Técnico da empresa, e Terezinha Silva Souza, presidente, estão com pedido de prisão decretada, mas não foram localizados pela Polícia.

“Estão sendo tratados como desaparecidos” – disse o delegado Henrique Meneguelo.  No final de semana, os diretores do Sanear conseguiram se livrar do pedido de prisão, feito pela promotora plantonista Ivonete Bernardes,  negado pela Justiça. No entanto haviam sido advertidos do risco de prisão caso houvesse novos lançamentos de dejetos no Rio Vermelho. As prisões foram determinadas após uma nova vistoria feita pela equipe da Politec na estação de tratamento de esgoto.

No dia 4 passado, a  ONG Rede Socioambiental e pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal, vereador, Olimpio Alvis, denunciaram o derramamento de esgoto “in natura” no Rio Vermelho. O crime ambiental estava sendo cometido  ao lado onde moram famílias do Acampamento 13 de outubro, que se sustentam e sobrevivem da pesca.

A empresa foi multada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado em R$ 25 milhões e mais R$ 2 milhões pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Porém, não conteve os efeitos do desastre ambiental. Calcula-se que, inicialmente, o conteúdo do esgoto tenha  se espalhou por 47 quilômetros de extensão do  Rio Vermelho.A água do rio tomou cores diferentes,  tornando o ambiente poluído e gerando mau cheiro

A fiscalização do Ministério Público, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Juvam e Polícia Militar Ambiental na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) confirmou a  liberação irregular de esgoto no Rio Vermelho. O ato foi configurado como “maior crime ambiental da história da cidade”. A Sanear não cumpriu com a determinação extra-judicial – notificação do MPE – e nem com a determinação judicial para o cessamento imediato do lançamento irregular.  Em vez de atender a determinação, o Sanear somente transferiu o despejo in natura do esgoto para outro local.

O esgoto era despejado da primeira lagoa da ETE sem tratamento. Agora, está sendo despejado da segunda lagoa para o Rio Vermelho. A quantidade de esgoto que escoa para o Rio Vermelho foi – e continua sendo – caractetizada como  imensa.

Neste período, a Sema alertou para que ninguém pesque ou coma peixes do Rio Vermelho e nem tome banho.

Em coletiva o delegado regional, Percival Eleutério, Percival Eleutério  relatou que uma equipe da policia técnica está no local para realizar um laudo para constatar o crime e reforçar o inquérito. O delegado Meneguelo, no entanto,  explicou que o flagrante se deu em razão da continuidade do crime e mesmo com desligamento das bombas o prejuízo já está feito.

O engenheiro do Sanear preso afirmou que ação foi uma injustiça, pois ele é apenas um funcionário da empresa e que não tem autonomia para autorizar ou não o funcionamento das bombas que jogam o esgoto no rio. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (Sispmur) emitiu uma nota de apoio ao servidor de carreira do Sanear, Hermes Ávila de Castro. A entidade, em nota, manifestou que “entende que a prisão foi indevida, já que o servidor em nada contribui ou contribuiu para o dano ambiental no Rio Vermelho”.

24horasnews

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